21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Empresários reclamam de abandono do Polo Multissetorial Luiz Cavalcante

Enchentes, lixo, deficiência do transporte coletivo, vias esburacadas e ocupação irregular agravam o cenário de abandono.

Local recebe despejo irregular de lixo | Divulgação

O Polo Multessetorial Governador Luiz Cavalcante, o conhecido Distrito Industrial, no bairro do Tabuleiro do Martins, pede socorro. Após mais de uma década sem obras de infraestrutura, e sem manutenção dos equipamentos já existentes, o distrito vem perdendo empresas e enfrentando o risco de tornar-se inviável para novos investidores.

Enchentes, lixo, deficiência do transporte coletivo, vias esburacadas e ocupação irregular agravam o cenário de abandono do polo, criado em 1975 como instrumento de desenvolvimento econômico e social pelo então governador Luiz Cavalcante.

Na fase atual, os números revelam a falta de apoio do poder público tanto estadual quanto municipal na manutenção adequada da infraestrutura do local. Segundo a presidente da Associação das Empresas do Polo Multissetorial Governador Luiz Cavalcante (Adedi), Luci Freire Peixoto, o número de empresas ali instaladas caiu de 114 para 98 nos últimos dois anos.

“As empresas estão saindo pelo lamentável estado do nosso polo”, afirma ela, ressaltando os prejuízos que a desativação de indústrias representa para a economia alagoana, tanto em relação ao desenvolvimento do estado quanto para a população, que vê crescer o desemprego.

Preocupado com a redução do número de empresas, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra de Andrade, articulou uma reunião entre dirigentes da Adedi e o secretário de Estado da Infraestrutura, Maurício Quintella, onde se discutiu soluções para os problemas enfrentados no distrito.

Na reunião, o secretário garantiu que até setembro, com obras de rebaixamento da cota das lagoas da Coca-Cola e do Salvador Lyra, o problema das enchentes será resolvido.

“Estamos ao lado dos empresários e não mediremos esforços para a superação dessas deficiências”, afirmou Lyra, assumindo o compromisso de articular reuniões da Adedi com todos os setores públicos que tenham atribuição sobre aquela região. A próxima reunião será com o secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar, a quem Luci vai relatar os problemas nessa área.

Empresários se reuniram com o secretário Maurício Quintella | Divulgação

Manutenção

A falta de drenagem para escoamento das águas pluviais continua sendo uma das maiores deficiências do Polo. Em abril último, revela a presidente da Adedi, uma enchente atingiu praticamente todas as empresas, causando severos prejuízos.

“Agora temos a expectativa de minoração das enchentes com a obra de drenagem que está sendo executada. Mas há necessidade de manutenção, limpeza de galerias, coleta de lixo, medidas que diminuirão as enchentes”, argumenta Luci Freire.

Somados aos problemas de infraestrutura as empresas enfrentam os prejuízos decorrentes da deficiência na limpeza urbana, na pavimentação, na segurança e no transporte. A presidente da Adedi pede fiscalização da Prefeitura para impedir, como está ocorrendo, o despejo de lixo de toda natureza na principal via do polo e nas secundárias.

“Diariamente vemos caçambas, caminhões, carroças despejando entulho aqui. Além da coleta deficiente, precisamos que a Limpeza Urbana atue para impedir o despejo, que é diário”, reclama Luci Freire.

Ela também destaca a segurança pública, uma questão séria que pretende levar para o secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar. “Temos aqui cerca de 5 mil funcionários, que têm sido vítimas de assaltos”, revela a presidente da Adedi. A associação precisa ainda que a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) melhore a oferta de transporte no Polo e seu entorno.

A empresária destaca que a Prefeitura de Maceió está realizando obras de drenagem e pavimentação na Avenida Governador Luiz Cavalcante, principal via de acesso ao Polo Multissetorial. Ela acredita que, com isso, a água da chuva, que escoa na região até a Lagoa da Coca-Cola, reservatório que fica na área do distrito, não inunde mais as indústrias.