28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
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Empresas que lucram com reforma devem ao INSS quase R$ 5 bilhões

Nova Previdência quer descontar para o INSS até do valor do Vale Refeição e do adicional de férias

O lucro é deles que operam no “mercado”

O mercado financeiro vive de juros e dividendos. Pega dinheiro de todo mundo para fazer mais dinheiro e dar lucro a eles próprios (os investidores). Não é para qualquer um.

E aí está a sangria desatada para a previdência social arrecadar mais e pagar menos. Exatamente para garantir que esse dinheiro do sistema vá aos bancos e fundos de pensões e passe a render para todos eles. Menos para o aposentado.

Nesse lastro vem a “Nova Previdência” proposta por economistas que, ao longo de suas vidas e atividades profissionais, viveram a serviço dos interesses dos banqueiros que dominam o mercado.

E alguém pode dizer: -Mas a previdência está quebrada e a reforma é necessária.

Vá lá que seja. Mas, neste caso, ela teria que ser feita para todos sem exceção. Seu monstruoso regime de capitalização teria que começar com os privilegiados do sistema da seguridade social, mas no entanto não funciona assim, principalmente por que não mexe nos supersalários.  Ela pega exatamente os que ganham menos. Fato insofismável.

Se fosse justa ou boa os militares não teriam caído fora na primeira hora. Aliás, apresentaram um projeto alternativo só para atendê-los. E nele não consta nada capitalização. Pelo contrário; propõem, para melhor, a reestruturação de cargos e salários.

A reforma proposta por Paulo Guedes, que é cofundador do Banco Pactual – hoje BTG Pactual – e do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, também não mexe nos privilégios do Poder judiciário e nem do Legislativo.

Quer saber no que mexe? Reduz de um salário mínimo para R$ 400 o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende aos portadores de deficiência. Sem falar nos danos ao trabalhador rural.

Ela mexe com trabalhador de salário mínimo e já propõe atém que as alíquotas de contribuição para o INSS passem a incidir sobre rendimentos do trabalho “de qualquer natureza”, além do salário base. O que significa isso?

Para economistas isso significa taxar outros benefícios como, por exemplo, vale refeição e adicional de férias do trabalhador. Especialistas ouvidos pelo UOL dizem que, na prática, isso reduz ainda mais o salário de quem ganha menos.

A ficha não caiu para muita gente. Isso por que ainda não sentiu na pele os efeitos da barbárie.

Mas um dado que todos podem entender com clareza que é ação em defesa dos interesses das empresas do “mercado”. E Essas fazem coro na defesa intransigente da reforma.  Trata-se exatamente da dívida astronômica dos bancos, entre outras empresas, com a previdência social do Brasil. Elas devem ao INSS, não pagam e ninguém cobra. Por que será?

Acompanhe os débitos com o INSS de parte da turma do “mercado”

JBS: R$ 1,8 bilhão;

Caixa Econômica Federal: R$ 549 milhões;

Bradesco: R$ 465 milhões;

Mendes Júnior Engenharia: R$ 393 milhões;

Vale: R$ 275 milhões;

Viação Itapemirim: R$ 255 milhões;

Banco do Brasil: R$ 208 milhões;

Lojas Americanas: R$ 166 milhões;

Ford: R$ 141 milhões;

Pirelli: R$ 135 milhões;

Oi: R$ 126 milhões;

Banco Rural: R$ 124 milhões;

ItalSpeed: R$ 122 milhões;

Unimed Paulistana: R$ 119 milhões;

Volkswagen: R$ 111 milhões.

Total: R$ 4.989 bilhões