15 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

EUA reforçam confiança no TSE e mídia internacional prevê derrota de Bolsonaro

Comandantes do Exército, Marinha e da Aeronáutica foram convidados para reunião com embaixadores, mas não compareceram

O governo dos Estados Unidos, nesta terça (19), que as eleições brasileiras “servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo”.

A manifestação ocorre depois de o presidente Jair Bolsonaro (PL) ter afirmado ontem, sem apresentar provas, que os ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) buscam eleger políticos de esquerda ao supostamente impedirem que medidas de transparência sobre o sistema de votação sejam adotadas.

“Os Estados Unidos confiam na força das instituições democráticas brasileiras. O país tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência. As eleições brasileiras, conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas, servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo. Estamos confiantes de que as eleições brasileiras de 2022 vão refletir a vontade do eleitorado. Os cidadãos e as instituições brasileiras continuam a demonstrar seu profundo compromisso com a democracia. À medida que os brasileiros confiam em seu sistema eleitoral, o Brasil mostrará ao mundo, mais uma vez, a força duradoura de sua democracia.”

Jair é defensor do voto impresso e tem feito reiterados ataques às urnas eletrônicas, muitos dos quais foram refutados por especialistas em segurança digital e órgãos oficiais, como a Polícia Federal.

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O posicionamento do governo norte-americano, divulgado por meio de nota emitida pela Embaixada dos EUA, se soma aos de dezenas de entidades do Poder Judiciário e da sociedade civil.

Imprensa estrangeira

O New York Times destacou que Bolsoanro chamou diplomatas estrangeiros “para lançar dúvida sobre as eleições, alimentando temores” de que contestará a votação —que, pelas pesquisas,”perderá de forma esmagadora” em outubro.

Outro veículo nova-iorquino com extensa equipe global de jornalistas, o serviço financeiro Bloomberg, acompanha até mais detalhadamente a política brasileira, dada a proporção alcançada pela economia do país.

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A agência Associated Press também vem questionando mais, dizendo desta vez que o presidente brasileiro “apresentou alegações sobre supostas vulnerabilidades, que as autoridades eleitorais já desmascararam repetidamente”.

Quanto à reunião com diplomatas, o argentino Clarín traduziu o relato do NYT, os mexicanos Reforma e La Jornada reproduziram a AP e o chileno La Tercera recorreu à Reuters —agência ainda nominalmente inglesa, mas com redação central em Nova York.

Algumas publicações, como o inglês The Guardian e o argentino Página/12, têm cobertura própria e mais engajada. O primeiro apontou as “alegações infundadas” e “reivindicações sem fundamento” de Bolsonaro aos diplomatas.

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O segundo descreveu “outro dia de tensão com Bolsonaro”, ressaltando que “fracassa sua tentativa de desacreditar o sistema eleitoral diante dos embaixadores”, inclusive com presença menor do que se anunciava.

Outros veículos, como o alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, se voltam pontualmente para Lula, com perfis amplos e chamadas como “Quem é o homem que pode vencer Bolsonaro?”.

Exército de Fora

Os comandantes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, da Marinha, almirante-de-esquadra Almir Garnier Santos, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior, foram convidados, mas não compareceram na reunião do presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores, no Palácio da Alvorada.

Apesar de admitirem que o presidente tem usado a imagem dos militares, principalmente do Exército, para passar a ideia de chancela às suas acusações infundadas de fraudes no sistema eleitoral, a orientação é tentar manter distância do embate político eleitoral. Ou seja: as Forças Armadas não querem se atrelar institucionalmente ao discurso de Bolsonaro.