25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Presidente insiste na ligação de agressor ao PSOL

Partido é o mesmo de Jean Wyllys, um deputado federal reeleito que sucumbiu às ameaças de morte e vai se exilar fora do Brasil

Para não falar de Jean Wyllys, um deputado federal do PSOL e reeleito nas eleições de 2018, que sucumbiu às ameaças de morte e fugiu do país para preservar a vida, o governo Bolsonaro usa mais uma de suas cortinas de fumaça: ligar o homem que esfaqueou Jair, enquanto candidato, ao PSOL, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro do ano passado.

Líder do executivo no Brasil, com voz mais do que ativa no Ministério da Justiça e Polícia Federal, o presidente segue em ritmo de campanha eleitoral. E ao invés de mandar investigar as ameaças de morte que levaram um parlamentar ao exílio, Jair Bolsonaro e seu filho Carlos seguem transformando a facada num ato político e criminalizando o partido do deputado ameaçado.

Origem do dinheiro

A insistência no assunto vem depois da Justiça Federal em Minas Gerais autorizar, nesta quarta-feira (23), a prorrogação por 90 dias do segundo inquérito que apura quem financiou a defesa de Adélio Bispo de Oliveira, autor do ataque à faca contra o presidente Jair Bolsonaro.

Em dezembro do ano passado, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em dois imóveis ligados ao advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, responsável pela defesa de Adélio. Na ocasião, Zanone afirmou que os agentes da PF queriam saber “se foi o Lula quem pagou a defesa, se foi o PSOL, o Jean Willys”.

O advogado nega que tenha assumido a causa em troca de exposição e afirma que recebeu R$ 300 mil de um patrocinador anônimo.

Adélio Bispo foi preso em flagrante logo após o atentando e confessou a autoria do crime. Ele está encarcerado em um presídio de segurança máxima em Campo Grande (MS). A defesa sustentou ainda que a agressão de seu cliente ao candidato Jair Bolsonaro foi um ato solitário, movido pelo que classificaram de “discurso de ódio” do próprio candidato.

Para saber de onde veio o dinheiro, basta usar o Coaf. O órgão que o governo tenta silenciar, é ideal para localizar a fonte de pagamentos suspeitos, como as movimentações de Flávio Bolsonaro, outro filho do presidente, que está envolvido com milícias.