23 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Festa de Meado e a identidade cultural do Quilombo Lunga

O evento é ato de resistência e preservação de costumes e tradições de remaneescentes quilombolas em terras alagoanas.

A pandemia atrapalhou. Mas os organizadores ajustaram o formato e a tradicional ‘Festa de Meado de Agosto’, que acontece anualmente no território do Quilombo Lunga, localizado no município de Taquarana(AL), começou na sexta-feira (14) e vai até o próximo dia 20 (quinta-feira). Este ano, o evento cultural focado na divulgação e reafirmação dos costumes e das tradições dos quilombolas, contextualizou o a programação com a situação vivida por todos os povos, em todo o momento, estabelecendo como tema central “Os Saberes e Fazeres Ancestrais na Pandemia”.

Exatamente por causa dessa situação de saúde que mundial, a edição deste ano acontece com ações presenciais bastante reduzidas e boa parte da programação em formato virtual, para evitar a disseminação do novo Coronavírus nessas comunidades.

Mas foi importante a decisão de se adequar e não deixar de realizar o evento. A Festa de Meado de Agosto é considerada um forte símbolo de resistência e ancestralidade e um marco na história e na cultura das comunidades quilombolas de Alagoas e costuma reunir, todos os anos, diversas expressões artísticas, religiosas e culturais – teatro, dança afro, música, exposições fotográficas, capoeira, coco de roda, candomblé, novena, procissão, culinária – além de oficinas de plantio, cultivo e outros fazeres. É também uma homenagem à memória da Mestra Firmina Mercê de Jesus, um evento comemorativo à colheita e tem também um foco religioso, em homenagem a Nossa Senhora Perpétuo Socorro, cuja data festiva (15 de agosto), foi estabelecida há mais de 200 anos.

Sem a possibilidade de aglomerações, este ano a programação conta com rodas de conversa e diálogos que serão transmitidos nas redes sociais do Quilombo Lunga (@quilombolunga) e do Bureau Comunitário (@bureaucomunitario) no Instagram, e pelo canal da Pró-reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no Youtube.

O tema “Saberes e Fazeres Ancestrais na Pandemia” reforça a importância dos Mestres da cultura tradicional do povo negro e o repasse das culturas artesanal e alimentar para as gerações futuras, na possibilidade de resistência e sobrevivência através de rede criativa e na busca constante da autonomia e sustentabilidade do Quilombo Lunga.

Recentemente, uma emenda parlamentar do deputado Paulão (PT) assegurou a realização do projeto Cultura Coletiva: Meta Oficinas de Consciência Lunga, que impulsionou a ampliação dos saberes e fazeres desses mestres. Somado a isso, outro marco na autonomia e sustentabilidade daquele quilombo foi a Cozinha Comunitária Casa da Dada, conquistada através de  edital da Fundação Banco do Brasil, com equipamentos semi-industriais, onde se reproduzem os fazeres culinários quilombolas.

PROGRAMAÇÃO

A Festa do Meado começou no dia 14, com webinário (transmissão online) no canal da Prograd-Ufal e Bureau Comunitário, no Youtube, da roda de conversa “Festa do Meado de Agosto na Pandemia – Projeto Consciência Lunga”, mediado pela jornalista Keka Rabelo. Participaram a anfitriã Tonha do Espírito Santo, mestra da cultura alimentar do Quilombo Lunga e vários convidados, representantes de coletivos diversos focados na cultura afro.

No dia 15 teve ritual de matriz afro-brasileiro, homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, diálogos virtuais sobre capoeira e culinária e a exibição de vídeos dos fazeres e saberes tradicionais, nas áreas de culinária e artesanato.

Hoje (17), tem conversa sobre “A Festa do Meado em Alagoas e os Movimentos Sindicais”, com mediação de Alyne Sakura e a convidada Rilda Alves – presidenta da CUT Alagoas, e em outra abordagem, o tema “Quilombo Lunga e Afroempreendedorismo”, com o convidado Jonathan Silva – cofundador da rede Cenafro, e consultor em Inovação e Afroempreendedorismo

A programação prossegue no dia 20, com debate sobre Comunicação na Festa do Meado, com mediação de Keka Rabelo e participação de Alyne Sakura – arte educadora, comunicadora popular, fotógrafa, idealizadora do Blog da Sakura e militante do Movimento Cultural e Periférico.

Ainda no dia 20 estará em pauta o tema “Quilombos e pandemia – INEG”, com mediação de Keka Rabelo e convidado Israel Oliveira – quilombola graduando em Ciências Sociais e integrante da Associação Nacional Unificada (ANU).

A realização do evento é uma união de forças do Quilombo Lunga, com o parceiro cultural Capoeira Arte Brasil, produção e comunicação Keka Rabelo e incentivo cultural de Bureau de Comunicação Comunitária, Blog da Sakura e 3 Minds.

Empenho coletivo em nome da resistência cultural de um povo. Uma ação digna de reconhecimento.

 

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