27 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Flávio Bolsonaro quer nomear corregedor da Receita para anular ‘rachadinha’

Processo da ‘rachadinha’ tem origem na investigação do COAF dentro da Receita

Receita apurou desvio de R$ 6 milhões nas movimentações financeiras de Flávio Bolsonaro

Enrolado no processo da rachadinha – esquema que desviou mais de R$ 6 milhões dos cofres públicos para o gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro – o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) quer abafar o caso na Receita Federal (RF) para evitar provas.

Para isso, há 3 meses, está tentando nomear um novo corregedor-geral  para a Receita, que é o órgão central para destravar uma de suas teses defensivas que visa anular a origem da investigação do caso da “rachadinha”.

O filho do presidente Jair Bolsonaro quer a nomeação do auditor fiscal aposentado Dagoberto da Silva Lemos. Ele é ex-diretor do Sindifisco (sindicato da categoria), cargo no qual apontou a suposta prática de acesso ilegal a dados fiscais de servidores que defendeu. A tese é usada pelo senador para anular a origem do caso da “rachadinha”.

Lemos teve, na primeira metade de julho, reunião com o presidente Bolsonaro e Flávio para debater sua futura atuação no cargo.

Houve, porém, resistência do secretário-especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, que indicou o auditor Guilherme Bibiani para o cargo. O posto está vago desde julho, quando encerrou o mandato de três anos do antigo corregedor, José Pereira de Barros Neto.

Em nota, Flávio negou participação na escolha do futuro corregedor e disse que “essa decisão cabe ao presidente da República”, embora a lei dê essa atribuição ao secretário da Receita.

Já o Sindfisco manifestou, em nota nesta sexta-feira (10), “mais profundo repúdio a qualquer tentativa de ingerência externa na condução da nomeação do cargo de Corregedor-Geral”.

“É inconcebível que para a nomeação de tal cargo, eminentemente técnico, sejam considerados elementos de cunho político, estranhos à capacidade e à experiência”, afirmou a entidade.