26 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Esportes

‘Fora Bolsonaro’: Denunciada no STJD, Carol Solsberg será defendida pelo presidente da OAB

Jogadora de vôlei de praia chegou a ser denunciada pela CBV, que já defendeu liberdade de expressão dos atletas que apoiam Bolsonaro

A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, que soltou um grito de “fora, Bolsonaro” no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, que “estava engasgado na garganta”, e foi denunciada na procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), terá em sua defesa ninguém menos do que o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

A procuradoria do STJD denunciou a jogadora ao tribunal por deixar de cumprir o regulamento da competição e assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras do código.

Para sua defesa, estará ao seu lado ninguém menos do que o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Além de lutar contra as punições podem chegar às R$ 100 mil reais e seis partidas de suspensão, o caso pode ser um importante passo na luta contra o fim da liberdade de expressão no esporte.

O subprocurador geral Wagner Dantas, que denunciou Carol, se diz um “advogado antifascista” que também grita “Fora, Bolsonaro”.

O subprocurador geral, Wagner Dantas, que se diz um “advogado antifascista” que também grita “Fora, Bolsonaro”, acredita que para participar do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, Carol concordou com um regulamento que a proíbe de emitir opiniões e fazer críticas.

Dantas acredita que Carol descumpriu esse regulamento, que proíbe falas que prejudicam ou “denigram” a imagem da CBV ou de seus patrocinadores.

O problema é que se os auditores entenderem que ela descumpriu o regulamento, por sua opinião ou crítica, pode virar regra que basta um regulamento imposto aos atletas pelas confederações para que esta os silencie não apenas em questões políticas.

Por isso este julgamento, que pode regularizar um tipo de “censura” e ser um grande golpe na liberdade de expressão, terá Felipe Santa Cruz defendendo Carol.

O presidente da OAB é conhecido por suas críticas a Jair Bolsonaro, especialmente no que diz respeito à sua falta de decoro e seus atropelos às normas democráticas. Ela já afirmou que a caneta do presidente tem “tinta criteriosa, só assina confusão, desinformação e ameaças veladas”.

No ano passado, o próprio Bolsonaro tentou intimidá-lo, dizendo que “um dia, se ele quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele, ele não vai querer ouvir a verdade”.

Talita e Carol Solberg

CBV, dois pesos, duas medidas

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) repudiou a jogadora. Em nota, a CBV se colocou de forma “veemente” contra “a utilização dos eventos organizados pela entidade para realização de quaisquer manifestações de cunho político”, ressaltando que a fala de Carol “em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar”.

A CBV disse que a etapa, que marcou a volta do vôlei de praia brasileiro em meio à pandemia, foi “manchada por um ato totalmente impensado praticado pela referida atleta”.

A confederação continuou, destacando que “tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados”.

Porém, há dois anos, a modalidade também foi palco de um ato político de grande visibilidade, quando dois jogadores da seleção masculina, Wallace e Maurício Souza, fizeram o número 17 com as mãos em uma foto após vitória da equipe pelo Mundial.

A CBV, naquele momento, não só defendeu a liberdade de expressão como a foto foi postada na conta oficial da CBV e no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Só com a repercussão negativa, a Confederação achou melhor apagar a postagem.

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