26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Generais informam ex-presidentes que ruptura não viria do Exército, mas das PMs

Sarney, Collor, FHC, Lula e Temer fazem consultoria para saber o risco da realização e aceitação do resultado das Eleições

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores seguem na contagem regressiva de um eufórico 7 de Setembro, com “manifestações de apoio” marcadas em todo Brasil, cinco ex-presidentes da República entraram em contato com militares para saber como está a disposiçao dos quartéis com a segurança democrática do Brasil.

Praticamente, eles queriam saber de generais da reserva e da ativa a garantia de que as eleições vão acontecer. E de que o vencedor, seja lá quem for, tomaria posse.

Se a dúvida disso já não é boa, a resposta também não foi das mais animadoras. Apesar de afirmarem que a presença e imposição de Bolsonaro no meio militar não seja suficiente para as Forças Armadas ajudarem o presidente em caso de insubordinação, eles disseram acreditar que isso aconteceria com as PMs estaduais.

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Aos ex-presidentes, eles externaram preocupação de que bolsonaristas tenham sucesso em um eventual golpe com ajuda das Polícias Militares. E como o risco disso acontecer é considerável, a da cadeia de comando nas PMs já vem sendo monitorada pelas Forças Armadas.

Os ex-presidentes que se mobilizaram para contatar os militares são Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor.

Peças-chave nessa articulação são os ex-ministros da Defesa, Nelson Jobim, Raul Jungmann e Aldo Rebelo. Também participa desse movimento o professor de filosofia Denis Lerrer Rosenfield, que é amigo de Temer e mantém boas relações com generais, como o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Sérgio Etchegoyen e com o vice-presidente Hamilton Mourão.

“Antes de mais nada, essa não é uma discussão boa para o País, uma discussão que tem como agenda o envolvimento de militares na política. Não é um bom sinal. A boa notícia dentro da má notícia é que os militares não estão interessados em desempenhar um protagonismo na desorientação que estamos atravessando. Acompanho esse tema há muito tempo. E converso com os ex-presidentes quase diariamente”. Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa.

Além dos ex-presidentes, os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) receberam o mesmo relato.

“O presidente – por atos, falas e narrativas – vem traçando um cenário de conflito para 2022. Corteja de maneira inadequada as PMs, ataca o Supremo. Mas é um erro pensar que o Exército pode ser usado em um golpe”. Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, que confirmou a exclusão de Dilma nesta consulta, pois a Comissão Nacional da Verdade (CNV) deixou marcas em todos os graus da oficialidade. E eles ainda têm reservas a Lula em razão das ações na Justiça contra o ex-presidente.