23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

‘Genocida do caralho’, ‘Que ódio’ e ‘Impeachment’ bombam com Bolsonaro desobrigando uso de máscaras em parecer

Com ironia, presidente afirma que o parecer foi assinado por um ‘tal de Queiroga’; Membros da CPI falam em cortina de fumaça e fritura do ministro

Para comemorar a marca de 480 mil mortos por Covid-19 nesta pandemia, o presidente Jair Bolsonaro resolveu fazer um anúncio sarcástico, que resultou em aplausos dentre seus fãs e apoiadores: ele vai desobrigar o uso de máscara entre os vacinados e pessoas que já foram infectadas.

“Acabei de conversar com um tal de Queiroga, não sei se vocês sabem quem é, e ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que foram vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado”. Jair Bolsonaro, presidente.

A atitude do presidente, que visa espelhar países como EUA ou Israel sobre a liberação do uso de máscaras, fez explodir no Twitter os termos ‘genocida do caralho‘, ‘que ódio‘, ‘não é possível‘, ‘pelo amor de deus‘ e ‘impeachment‘ na noite desta quinta.

Naqueles dois países, o índice de vacinação está em 59,4% e 49,15% da população, contra os menos de 12% do Brasil. Isso então ilustrou a raiva da população, cansada de quem joga contra o povo na pandemia.

O tal de Queiroga é o ministro da Saúde, que nesta semana, na CPI da Pandemia, disse que a cloroquina não é eficaz e defendeu uso de máscaras e distanciamento social. Portanto, essa medida de Bolsonaro, vai completamente contra o que disse o ministro. Ou ele mentiu ou realmente ele acata qualquer coisa do presidente. E pode estar sendo fritado.

“Se ele acatar o pedido do presidente e fizer um parecer desobrigando o uso da máscara, vai contra o que ele disse na CPI nesta semana. Vai ficar desmoralizado. O presidente colocou ele numa saia justa, eu acho que ele deveria pedir demissão”. Otto Alencar (PSD-BA), senador, médico e integrante da CPI da Pandemia.

Queiroga, aliás, já desmentiu o presidente. O Ministro da Saúde disse que vai é começar a elaborar um estudo para verificar a possibilidade de, no futuro, implementar uma medida que retire a obrigatoriedade do uso de máscara, a exemplo do que ocorre em outros países.

Independente de tudo, são mais palavras ao vento para atrapalhar o país. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello, já voltou a dizer que estados e municípios têm autonomia, dentro de seus territórios, para decidir sobre o uso de máscara e demais medidas de combate à pandemia.

Seja o motivo político ou não, esta é mais uma que Bolsonaro arma, seja para desviar o assunto, ou para matar mais gente. E continuar mentindo, como no “relatório do TCU”, que inventou uma redução de morte por Covid-19 no país.