26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Organizadores de manifestações de 7 de Setembro foram recebidos no Planalto

Investigados pela PF chegaram a tirar foto com Augusto Heleno, ministro que negou conhecê-los e disse não ter tido reunião

Em pelo menos duas oportunidades os investigados por organizar manifestações antidemocráticas para o dia 7 de setembro, em favor do presidente Jair Bolsonaro, estiveram no Palácio do Planalto. Isso  na semana anterior à operação da Polícia Federal que mirou, entre outros, o cantor Sérgio Reis e o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ).

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Estes encontros estão registrados na agenda oficial da secretária de Articulação Social, Gabriele Araújo, nos dias 10 e 11 de agosto. Ambos na Secretaria Especial de Articulação Social, que funciona no quarto andar do Planalto e é subordinada à Secretaria de Governo, hoje comandada pela ministra Flávia Arruda (PL-DF).

A PGR (Procuradoria-Geral da República) já apura se o governo participou do planejamento dos atos, que vinham sendo convocados por meio de ataques a autoridades e incitações ao fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso, além de ameaças de paralisação do país com uma greve de caminhoneiros.

A primeira dessas reuniões, no dia 10, aparece na agenda de Araújo com a pauta “Movimento Brasil Verde e Amarelo”, um grupo formado por sindicatos e associações rurais que convocou, no final de maio, uma manifestação em apoio a Bolsonaro em Brasília. Entre as bandeiras do ato estava a proposta do voto impresso, rejeitada pela Câmara em agosto.

Na oportunidade foi recebido o presidente da Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), Antonio Galvan, um dos investigados no Supremo. No último dia 23, após ser alvo de buscas e apreensões, Galvan foi depor à PF em Sinop (MT) acompanhado de um grupo de ruralistas, que chegaram ao local em um comboio de tratores.

No dia seguinte ao encontro com Galvan, a secretária Gabriele Araújo recebeu outros três ativistas que seriam alvo da PF dias depois: Turíbio Torres, Juliano Martins e Marcos Antônio Pereira, conhecido como Zé Trovão.

Os ativistas haviam chegado a Brasília dias antes e já vinham publicando fotos ao lado de ministros, deputados governistas e até de Renato Bolsonaro, irmão do presidente. Dois deles, Torres e Martins, tiraram fotos dentro do Planalto com o general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Em nota, o GSI afirmou que “o ministro não os conhece e não houve reunião”.