20 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Grupo de Whatsapp com MBL, Tábata, Joice e PSOL é criado contra instalação de uma ditadura

Bolsonaristas e petistas, estes com “o filme queimado”, não foram convidados, assim como deputados do Centrão

A luta contra a escalada autoritária do Governo Bolsonaro fez com que políticos de diferentes lados se unissem. Mesmo que em um grupo de Whatsapp.

Pois bem: os conservadores do MBL (Movimento Brasil Livre), a ex-líder do governo e até mesmo o esquerdista PSOL se uniram, ainda que temporariamente, para um bem comum: lutar contra os desmandos do Palácio do Planalto.

O grupo foi criado pelo deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos líderes do MBL. E se chama “Democráticos”. Já são dezenas de deputados, entre eles Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, Marcelo Freixo (RJ), um dos principais nomes do esquerdista PSOL, Alessandro Molon (PSB-RJ), ex-líder da oposição, e Tabata Amaral (PDT-SP), uma das expoentes da “nova esquerda”.

Bolsonaristas e petistas não foram convidados. Na discusão, estão os contrapontos à ameaça de que seja instalada novamente uma ditadura no país.

“Esse grupo é importante porque reúne pessoas que realmente estão preocupadas com a manutenção do Estado democrático de direito, com a manutenção das instituições e da própria democracia no Brasil, que é justamente o que vem sendo fortemente atacada pelo presidente Jair Bolsonaro”. Joice Hasselmann (PSL-SP).

A ex-aliada do presidente foi além, e disse que as declarações e intenções seriam, de fato, para “uma ruptura da democracia, uma ruptura institucional”. E estas preocupação reuniram parlamentares das mais diversas frentes. E estes ” entendem que é preciso uma união de todos”, de acordo com Joice.

“Bolsonaro sonha dia e noite com um golpe. Não é um desejo que vem de agora, é um desejo que vem de muito tempo, e ele flerta com essa possibilidade desde o início do mandato”. Joice Hasselmann (PSL-SP).

PT e Centrão

De acordo com outros integrantes do grupo, que preferiram falar sob condição de anonimato ao UOL, o objetivo também é se contrapor também ao centrão, não só a bolsonaristas e a petistas, que sob a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem relutado em participar de movimentos suprapartidários de oposição.

Segundo integrantes do grupo de WhatsApp, alguns congressistas do PT querem aderir, mas o partido não foi convidado porque, além de estar com “o filme queimado”, há a própria resistência de Lula de embarcar em um movimento que não seja encabeçado pelo partido.

Lula mesmo já disse que seu partido não é Maria Vai Com as Outras e criticou os manifestos suprapartidários em defesa da democracia surgidos nos últimos dias sob o argumento de que os documentos articulados pela sociedade civil desconsideram os direitos dos trabalhadores.