29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Guedes não vai se esforçar para ajudar Weintraub no Banco Mundial

Ex-ministro da Educação já escapuliu para os EUA, mas pode esperar até um mês por aprovação no novo cargo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, acredita que Abraham Weintraub enfrentará resistência para sua indicação no posto de diretor-executivo do Banco Mundial. E caso haja um veto, o Brasil terá que fazer outra indicação para a vaga.

Guedes já confidenciou que, em caso de entraves, entregará uma nova sugestão sem fazer esforços para defender Weintraub. O Palácio do Planalto, no entanto, insiste na manutenção do ex-ministro da Educação no cargo.

O Brasil integra o Banco Mundial por meio de um consórcio com outros oito países. São eles Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago. Cada um deles adquiriu cotas em conjunto para integrar o organismo multilateral. De acordo com elas, eles têm o direito de ocupar cargos na instituição.

Tudo indica que  Colômbia, Equador e Suriname são mais resistentes ao nome de Weintraub.A República Dominicana também não mostra simpatia pela indicação, mas está aberto à negociação. E caso a indicação de Weintraub seja rejeitada, poderá ser criado um problema diplomático sério.

Com sede em Washington, a missão do Banco Mundial é desenvolver e financiar projetos que permitam erradicar a pobreza. Basicamente atua com dois braços, o Bird (Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento) e a AID (Associação Internacional de Desenvolvimento).

Pelas regras, a indicação do diretor-executivo de um grupo desse tipo precisa ser consensual porque ele representará todos os países do consórcio. Caso contrário, é preciso indicar outra pessoa.

Apesar de ter viajado às pressas aos EUA, Abraham Weintraub pode ter que esperar até quatro semanas para ver o seu nome aprovado para o cargo de diretor executivo no conselho administrativo do Banco Mundial.

Eleição pode demorar

Ainda sem vínculos oficiais com a instituição, o ex-ministro da Educação levantou dúvidas sobre como entrou em território americano no sábado (20) e como vai permanecer no país com as restrições impostas a passageiros que chegam do Brasil em meio à pandemia do coronavírus.

Segundo o Banco Mundial, Weintraub ainda é apenas candidato do governo brasileiro ao posto de diretor executivo e, antes de qualquer formalização, precisa aguardar a eleição no grupo de países do qual o Brasil faz parte, o chamado constituency.

Depois de eleito, são iniciados os trâmites burocráticos para o início da função na sede do banco, em Washington, com mandato que vai até 31 de outubro e deve ser renovado no mês seguinte.

No fim de maio, o presidente Donald Trump assinou um decreto que proíbe a entrada nos EUA de cidadãos não americanos que tenham estado no Brasil nos últimos 14 dias, inclusive brasileiros, como mais uma medida de tentar conter o avanço do coronavírus.

Mas há exceções, entre outras, para estrangeiros que possuem vistos específicos, assim como representantes de outros governos.

Weintraub chegou a Miami na manhã de sábado (20), já demitido mas ainda sem que a exoneração tivesse sido oficializada. Bolsonaro só assinou a demissão em edição extra do DOU depois que o ex-auxiliar chegou aos EUA.

A exoneração de Abraham Weintraub foi retificada no Diário Oficial da União (DOU) de hoje com a data de desligamento do ministério da Educação, ocorrida um dia antes da publicação no dia 20 de junho, em edição extra.

A nova redação do decreto, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), informa que Weintraub foi exonerado do cargo de ministro de Estado da Educação “a partir de 19 de junho de 2020”, o que antes não estava determinado.

Como ministro, Weintraub recebia um salário mensal de R$ 31 mil. Um diretor-executivo do Banco Mundial tem salário anual de cerca de US$ 258 mil, o equivalente a R$ 116 mil.