21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
Mundo

Guerra entre Hamas e Israel se intensifica e mais de 40 morrem em bombardeios

No centro dos conflitos estão a liberdade de culto em pontos da Cidade Antiga e uma decisão judicial que prevê o despejo de famílias palestinas

O confronto entre Hamas e Israel teve sequência nesta quarta-feira (12), com novos bombardeios aéreos israelenses na Faixa de Gaza, de onde, nos últimos dois dias, o grupo islâmico lançou uma onda de foguetes contra várias cidades israelenses, como Tel Aviv.

Após uma noite marcada por trocas de ataques entre Hamas e Israel, o Exército israelense anunciou uma nova e extensa série de “operações contra casas de membros do alto escalão” da facção radical. O Hamas afirmou que os bombardeios destruíram a sede da polícia palestina, sem especificar se houve vítimas.

Os novos bombardeios, os mais significativos desde a guerra de 2014 no enclave, segundo o Exército, são uma resposta a centenas de foguetes disparados de Gaza contra solo israelense.

Depois de uma primeira investida contra Tel Aviv na noite de terça-feira (11), o Hamas disse ter lançado mais de 220 foguetes contra Tel Aviv e Beerseva (no sul do país).

A operação aconteceu após a destruição de um prédio de 13 andares no centro de Gaza, no qual as principais figuras do Hamas mantinham escritórios. O grupo também relatou a destruição de um prédio de nove andares no centro da cidade que abrigava residências, lojas e uma televisão local.

Do lado palestino, os bombardeios israelenses deixaram ao menos 35 mortos, 12 dos quais de menores de idade, e mais de 230 feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Em Israel, cinco pessoas morreram em explosões de foguetes palestinos e dezenas ficaram feridas, segundo a polícia e serviços de socorro.

A nova fase de hostilidades entre Israel e Hamas foi desencadeada por confrontos que já duram cinco dias entre palestinos e forças de segurança israelenses na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.

No centro dos conflitos estão a liberdade de culto em pontos da Cidade Antiga —que os palestinos dizem estar sendo tolhida— e uma decisão judicial que prevê o despejo de famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah que, por decisão do tribunal regional de Jerusalém, devem devolver os terrenos a judeus.

Pela lei de Israel, se judeus provarem que suas famílias viviam em Jerusalém Oriental antes de 1948, eles podem pedir a restituição de seus direitos de propriedade. A regra é contestada pelos palestinos, e o governo de Israel argumenta que eles estão “tratando uma disputa imobiliária entre partes privadas como uma causa nacionalista, para incitar violência”.

Jerusalém é crucial para o conflito israelense-palestino. De um lado, Israel reivindica a cidade inteira, incluindo seu setor oriental capturado na guerra de 1967, como sua capital. Os palestinos, do outro, buscam fazer de Jerusalém Oriental a capital de um futuro Estado na Cisjordânia e em Gaza.