29 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Hipercompensação: Após o “caguei” e obstrução intestinal, Bolsonaro fala em “broxa” e sexo com Michelle

Desiludido de ego inflado, presidente tem histórico de exageros nas palavras para desviar de incapacidades ou do que tenta esconder

Nesta quinta-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro inventou de dizer, durante pronunciamento em evento de lançamento do programa Comida no Prato, que daria “bom dia” a todos, menos para Michelle. Isso porque já tinha dado um bom dia “muito especial” para ela.

“Acredite se quiser”. Jair Bolsonaro, presidente.

É a esposa dele e normalmente ninguém duvidaria que ambos transam, afinal isso faz parte do casamento. E a filha de ambos é a cara dele, logo as dúvidas não deveriam existir.

Só que quando Bolsonaro abre a boca para falar, normalmente devemos duvidar. A inclinação acaba sendo acreditar que o que acontece é exatamente o contrário do dito por ele.

Alçado à presidência com discurso prometendo o fim da corrupção, da mamata e do ‘toma lá da cá’ na forma de fazer política em Brasília, Jair Bolsonaro vem falhando em praticamente todas as suas grandes metas de campanha.

Mas isso não quer dizer que ele tenha obtido sucesso. Para algo deixar de ser verdade, basta dizer o contrário diversas vezes, enquanto age como propagador da verdade. Literalmente com a bíblia na mão e tudo.

Loiro dos olhos azuis

Tido como “homem do povo” ou “gente como a gente”, Bolsonaro é aquela figura popular que faz o brasileiro médio se espelhar e sentir orgulho de se sentir presidente. Mas é tudo uma fachada, um discurso montado para desviar da realidade.

Sem se atentar a muitos exemplos, temos o infame discurso dele desabafando, quase um ano depois de ter vencido as eleições, de que ele era “Johnny Bravo” e que ganhou, “porra”.

Há tanto a se observar aqui, mas a auto comparação com um personagem tido como galã, mas burro como uma porta, além de sua aparente surpresa e alívio em ter vencido a eleição, é uma janela do que se passa na cabeça de Bolsonaro: um vislumbrado por saber onde está e que se acha mais do que é, sem se atentar nas falhas.

Pura hipercompesação, um processo em que o indivíduo cria um mecanismo não consciente que visa compensar em si uma característica negativa que ele acredita que possui.

Sempre contra-atacando seus esquemas, a hipercompensação de um esquema é uma tentativa de lutar contra uma crença que em tese, diminuiu o indivíduo em algum momento.

Podemos verificar isso dois meses depois, quando o cercadinho da imprensa ainda existia no Planalto, durante um ataque homofóbico em que ele atacoou um jornalista e inventou de dizer isso:

“Você pretende se casar comigo um dia? Não seja preconceituoso. Você, você não gosta de loiro de olhos azuis? Isso é homofobia, vou te processar por homofobia. Não admito homofobia, seu homofóbico. Você pretende se casar comigo? Responde! Não pretende”? Jair Bolsonaro.

Além de ser incapaz de associar interações interpessoais com relacionamentos amorosos (tudo para ele é “pedido de namoro” ou “noivado” com “beijo hétero”) vemos aqui que ele realmente acha ser Johnny Bravo.

O antiquado da Cartoon Network está sempre de óculos escuros, então não podemos dizer muito, mas ele de verdade se vê como um “loiro dos olhos azuis”.

Jair Bolsonaro, que se diz um Johnny Bravo loiro de olhos azuis

É um vislumbrado com a posição que ocupa. Incapaz de enxergar falhas em si (pelo contrário, nele mesmo só encontra perfeição), recentemente falou de forma orgulhosa do encontro que teve com Angela Merkel:

“A conversa com a Angela Merkel foi excelente. Começou naquela tarde, em uma sala com muita gente. Eu dei uns passos em retaguarda e acabei pisando no peito do pé dela. Aí ela olhou para mim e falou: ‘só podia ser você!’. Ela já me conhecia há bastante tempo”. Jair Bolsonaro, presidente.

A sala com muita gente era o encontro com líderes do G20, onde Bolsonaro passou muito tempo sentado sozinho, sem conversar com ninguém. E quando tentou, pisou no pé de Merkel.

O detalhe é que o “só podia ser você” foi encarado por ele como um elogio. Como se ele fosse especial. Algo do tipo “ela me conhece, ela sabe como eu sou e como ajo normalmente”.

De forma completamente oblíqua, lhe passou pela cabeça que ela falou isso com desdém. Só alguém como Bolsonaro para pisar no pé de alguém no G20. E ele sim é notório por lá, mas por motivos errados: é um negacionista da pandemia, que acelerou a destruição do meio ambiente e que se reúne com partidários neonazistas da Alemanha. Não tem como não saber.

Caguei

Incomodado com a CPI da Pandemia, que o responsabilizou por 11 crimes, Bolsonaro foi curto e grosso sobre sua impressão da comissão do Senado: “caguei“. Foi o que ele disse de forma jocosa.

O detalhe é que menos de uma semana depois o presidente precisou ser internado. Com problemas intestinais, Bolsonaro sofria de refluxo, soluçava bastante e sofria uma longa obstrução. Uma consequência da facada levada durante a campanha eleitoral.

Ou seja: Bolsonaro “não conseguia cagar”, literalmente o que ele dizia fazer para a CPI. O que faz dele um paciente ideal para estudantes de psicologia. Não é preciso cavar muito, pois Bolsonaro se entrega constantemente.

Antes de dizer que transou com a esposa, por exemplo, ele estava com uma “broxada na cabeça”. Isso porque inventou de mencionar isso, pouco tempo depois, ao criticar quem o responsabilizava pela alta inflação no país:

“Como é que está a inflação? Já sabem quem é o culpado? Quem não fechou nenhum botequim sou eu. É impressionante, o cara broxa em casa e eu sou o culpado”. Jair Bolsonaro.

Por que diabos fazer essa comparação de forma tão abrupta, sem ligação entre um assunto e outro? E justo horas depois de dizer que deu um “bom dia especial” para a esposa, emendado com um “acredite se quiser”?

Infelizmente, não há como interpretar com outro cenário senão que Bolsonaro sofre de impotência há algum tempo (o que seria normal em sua idade e por conta da saúde) e que naquela manhã tentou e não conseguiu desempenhar. E que tenha falado aquilo para desviar de algo que ninguém estava questionando.

Sabe o pior de tudo? O presidente jura de pés juntos que nunca se vacinou contra Covid-19, apesar de impor um sigilo de 100 anos em seu cartão de vacinação.

Ao mesmo tempo, ele resolve dizer que as vacinas “aceleram” a síndrome da imunodeficiência adquirida. Do nada, Bolsonaro diz que vacinas contra Covid-19 provocam Aids. Longe de querer implicar uma coisa ou outra. Só seria interessante ver o cartão de vacinação do Johnny Bravo.