26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Infectologista da Sesau alerta sobre cuidados ao se expor a água contaminada de enchentes

Sarah Dominique Dellabianca explica o que são doenças de veiculação hídrica e orienta como evitá-las

Infectologista do Hospital da Mulher, Sarah Dominique Dellabianca destaca que é necessário evitar contato com água contaminada das enchentes. Foto: Carla Cleto/ Sesau

 

Com o período de fortes chuvas e inundações que Alagoas está vivenciando, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) alerta a população para ficar atenta sobre as doenças de veiculação hídrica, que são aquelas transmitidas por meio da água contaminada.

A infectologista Sarah Dominique Dellabianca esclarece as dúvidas da população sobre o que fazer ao entrar em contato com a água poluída.

Entre as principais doenças de veiculação hídrica estão a amebíase, giardíase, hepatite viral, cólera, leptospirose e a febre tifóide.

De acordo com a infectologista, as manifestações clínicas podem ser várias, conforme cada doença em específico, mas, em alguns casos, os sintomas podem ser semelhantes, tais como febre, dor de cabeça, dor muscular, dor no corpo, prostração, diarreia, calafrios e vontade de vomitar.

Na situação de enchentes, caso as pessoas possam evitar a exposição à água contaminada, é a melhor saída. Porém, se não tiver como evitar, alguns cuidados são necessários após esse contato.

Além disso, é importante atenção ao higienizar alimentos, pois muitas doenças podem ser transmitidas na lavagem deles ou, em caso de inundações, do contato da água contaminada onde eles estão armazenados.

“O ideal é não se expor à água contaminada, mas, caso a exposição seja necessária, é importante usar luvas e botas. Se o contato com água de enchente ou lama ocorrer, proceder com banho, e, se apresentar sintomas, procurar atendimento médico. É importante desprezar os alimentos e medicamentos que foram expostos, mesmo que sejam embalados, pois pode haver contaminação. Utilizar somente água mineral para consumo humano, principalmente para preparação de alimentos destinados às crianças. Além disso, deve-se higienizar os alimentos com hipoclorito antes do consumo. Essas são medidas para tentar evitar o adoecimento, pois a exposição já ocorreu”. Sarah Dominique Dellabianca.

Doenças Hídricas – Sendo uma das mais comuns das doenças hídricas, a amebíase é uma infecção causada por más condições de saneamento. Ela é disseminada pela ingestão de alimentos crus, como frutas, que podem ter sido lavados com água local contaminada.

Caso haja sintomas, podem ser leves e incluir cólicas e diarreia. Fezes com sangue, febre e, raramente, abscesso hepático, podem ocorrer em casos graves.

A giardíase também se espalha por alimentos ou água contaminada ou por contato pessoal. Ela é mais comum em áreas com más condições de saneamento e água contaminada. Os sintomas podem incluir diarreia aquosa, alternando com fezes gordurosas. Fadiga, cólicas e arrotos também podem ocorrer.

As hepatites virais também são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Trata-se de uma infecção que atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes, são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas.

A cólera é uma doença bacteriana infecciosa intestinal aguda, transmitida por contaminação fecal-oral direta ou pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

A cólera é fatal se não for tratada imediatamente. Os principais sintomas são diarreia e desidratação. Raramente, choque hemorrágico e convulsões podem ocorrer em casos graves.

A leptospirose é uma doença bacteriana transmitida pela urina de animais infectados, como ratos e, principalmente, cães e gatos.

Essa doença acontece mais frequentemente em épocas de muita chuva, pois devido às enchentes, poças e solos úmidos, a urina dos animais infectados pode, facilmente, ser espalhada e a bactéria infectar a pessoa por meio das mucosas ou feridas na pele, provocando sintomas como febre, calafrios, olhos avermelhados, dor de cabeça e náuseas.

A febre tifóide também é adquirida pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou com urina contendo a Salmonella enterica sorotipo Typhi.

Algumas vezes, pode ser transmitida pelo contato direto (mão-boca) com fezes, urina, secreção respiratória, vômito ou pus de indivíduo infectado.

Os sintomas são febre alta, dores de cabeça, mal-estar geral, falta de apetite, retardamento do ritmo cardíaco, aumento do volume do baço, manchas rosadas no tronco, prisão de ventre ou diarreia e tosse seca.