1 de dezembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Ipea mostra que inflação é maior para os mais pobres nesta pandemia

Pesquisa foi realizada com base em hábitos de consumo dos brasileiros

Alta do arroz impactou o orçamento das famílias mais pobres

Dados revelados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmam que a inflação brasileira hoje supera em duas vezes os mais pobres, em relação aos mais ricos.

O levantamento realizado por faixas de renda teve como base dados sobre os hábitos de consumo disponibilizados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa só em agosto a inflação para famílias de renda muito baixa — assim consideradas as que têm renda mensal menor do que R$ 1.650,50 — foi de 0,38%. No entanto, a carestia para a faixa de renda média-alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66) foi de apenas 0,13%, registrando queda de 0,10% para as famílias de renda alta.

O professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luís Oreiro, explica que a diferença entre a inflação de ricos e pobres deve-se à composição de consumo de cada um desses grupos.

“A classe de menor renda tem uma proporção maior de alimentos em sua base de consumo, ou seja, gasta maior parte da renda com esses produtos, enquanto os mais ricos têm uma proporção maior de serviços.” Desse modo, a recente alta no preço dos alimentos teve maior impacto na população de baixa renda.

A responsável pelo indicador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andreia, disse que a pandemia causada pelo novo coronavírus, e a quarentena, alteraram essa composição — em prejuízo dos mais pobres. “Os serviços normalmente consumidos pelas famílias com renda maior, como mensalidade da escola, passagens aéreas, gasolina etc. diminuem ou zeram quando se está em casa. Dessa forma, o dinheiro que seria destinado para esses gastos passa a ser direcionado a outros produtos — que, conforme observamos na pesquisa, foi para o setor alimentício”, assinalou.

Arroz impactou

Oreiro chamou a atenção para o grande impacto no preço do arroz no orçamento das famílias. “O aumento do arroz no mercado internacional aconteceu porque os grandes fornecedores do alimento, Índia e Vietnã, por questões de segurança, restringiram as exportações do produto”, observou. Enquanto a inflação dos mais pobres cresce, os ricos, que consomem em maior parte serviços, possuem o benefício da deflação em alguns setores, ou seja, da queda de seus preços, o que colaborou para a percepção da classe mais pobre sofrer uma inflação maior.

Ele prevê que a inflação de alimentos só vai começar a arrefecer no início de 2021, porque, neste momento, estamos no período de  entressafra.

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