26 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Mundo

Líbano vê colapso em hospitais após explosão a meio crise e pandemia

Mais de 100 morreram e até 300 mil estão desabrigados ou tiveram suas casas profundamente afetadas diante do impacto das explosões

Atingido por uma crise humanitária, o Líbano enfrenta dificuldades para lidar com o grande número de vítimas da explosão ocorrida ontem na região portuária de sua capital Beirute.

O número de feridos supera 4.000 e o de mortos passa de 100, segundo a Cruz Vermelha Libanesa. O país vive hoje os efeitos da sua mais grave crise econômica desde o fim da guerra civil, em 1990.

O país do Oriente Médio corre o risco de não conseguir lidar com a enorme demanda de serviços médicos para os feridos. Na situação atual do Líbano, não há como atender os feridos. Por conta da crise econômica, os serviços públicos estão entrando em colapso.

Por causa das explosões no porto, o risco é de que a cidade e o país vivam um desabastecimento de alimentos.  O porto armazenava 85% dos estoques de cereais do país e principalmente o trigo, essencial para a base da alimentação da população.

Para a entidade Save the Children, o desastre “não poderia ter ocorrido em pior momento”. A crise econômica havia deixado o país de joelhos e, segundo a organização, 500 mil crianças estavam abaixo da linha da pobreza.

O governo local também aponta que entre 250 mil e 300 mil pessoas estão desabrigados ou tiveram suas casas profundamente afetadas diante do impacto das explosões.

O governador de Beirute, Marwan Abboud, revelou que a estimativa é de que mais de uma centena de pessoas continuam desaparecidas, inclusive bombeiros, e que os danos para a cidade podem chegar a 5 bilhões de dólares. Mais da metade da capital teria sido atingida.

Coronavírus

Até o momento, o Líbano vinha tendo relativo sucesso em conter o avanço do novo coronavírus. Desde fevereiro, quando registrou o primeiro caso, o país teve 65 mortos e 5.062 casos confirmados de covid-19, segundo o painel global sobre a pandemia mantido pela Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos.

Apesar disso, o país viu o número de mortes aumentar repentinamente e decidiu decretar um rígido lockdown de duas semanas. A restrição iniciada em 27 de julho estava prevista para vigorar até o próximo fim de semana.

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