28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Lula promete não atrelar gasolina ao dólar para baixar preço e centrão age para fazer o mesmo

Arthur Lira e Ciro Nogueira driblam Guedes e Senado para tentar baixar preço de combustíveis no ano eleitoral

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (3) que, em um eventual novo governo, não manterá o preço dos combustíveis vinculado ao dólar, como ocorre atualmente com a política de preços praticada pela Petrobras.

A política de preços dos combustíveis da Petrobras foi alterada no governo do ex-presidente Michel Temer. Sob alegação de que o controle de preços rígido implementado no governo da ex-presidente Dilma Rousseff gerou prejuízo para a estatal e inibia investimentos, passou-se a adotar uma política que acompanha o preço do petróleo no mercado externo, combinado com a variação do dólar, com reajustes frequentes.

“Nós não vamos manter o preço dolarizado. Eu não posso enriquecer um acionista americano e empobrecer a dona de casa que vai comprar um quilo de feijão e paga mais caro por causa do preço da gasolina”. Lula.

Lula fez ainda a avaliação que parte da inflação vem de preços controlados pelo governo e afirmou que é necessário coragem para mexer em preços controlados pelo Estado.

Centrão

Como Lula é hoje o primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de outubro, com ampla vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro, que aparece isolado na segunda colocação, o Centrão já age para mudar este cenário.

Barros, Bolsonaro, Ciro Nogueira e Arthur Lira: o Centrão no comando

Sob pressão em um ano eleitoral e em busca de protagonismo, o centrão driblou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Senado para tentar baixar o preço de combustíveis com a circulação de uma nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

O texto para a redução de tributos sobre combustíveis teve a benção do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), e o empenho do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que não queria deixar com o Senado todo o protagonismo da pauta.

O texto conta com digitais da Casa Civil no documento oficial, segundo o jornal Valor Econômico.

Paulo Guedes, por exemplo, foi pego de surpresa pela publicação da nova PEC na imprensa durante viagem a São Paulo, e a equipe econômica já vê o texto como inviável financeiramente. Os cálculos da equipe econômica preveem que o custo fiscal da nova PEC pode chegar a R$ 75 bilhões.

O Senado já discute a possibilidade de tocar outros dois textos de forma independente, na tentativa de baixar os preços dos combustíveis. Mas ambos são encampados principalmente pela oposição, o que desagrada o governo e o centrão.

Os governadores tendem a apoiar um desses projetos no Senado que cria um fundo para tentar estabilizar os preços. Só que essa opção já havia sido descartada pela equipe econômica.