8 de março de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Motorista acusa falha mecânica; empresa diz que acidente em Minas foi imprudência

Polícia mineira tomou depoimentos do motorista e dos representantes da empresa do ônibus acidentado que matou 19 pessoas

Motorista depõe e acusou falha mecânica no ônibus

Visivelmente abalado, motorista Luiz Viana de Lima, que conduzia o ônibus que caiu de uma ponte na BR-381, em João Monlevade, na Região Central de Minas, na última sexta-feira, 4, disse à polícia mineiro que o ônibus apresentou problemas mecânicos no momento do acidente, que deixou 19 pessoas mortas.

O motorista foi ouvido em João Monlevade. Ele estava desaparecido desde o dia do acidente. Luiz Viana teria pulado do veículo com outras cinco pessoas antes de o coletivo cair da ponte, de uma altura de 35 metros.
Segundo o delegado Paulo Tavares, Viana disse que fugiu do local por medo. Ele só reapareceu nesta segunda-feira, 7,  acompanhado de um advogado que não é ligado à empresa Localima, dona do ônibus envolvido na tragédia.
“Ele fugiu, segundo ele, porque ficou com medo. Muitas pessoas que paravam no local, alguns outros motoristas, estavam procurando por ele, perguntando cadê o motorista. Então ele se sentiu acuado e resolveu fugir. Houve uma falha técnica. O ônibus voltou (de marcha ré). Segundo ele, houve um problema no freio do ônibus”, afirmou.

Foi imprudência diz representante da empresa

Flávia Carvalho, a filha dos donos  da Localima Turismo, empresa dona do ônibus que caiu de uma ponte na BR-381, em João Monlevade,  prestou depoimento na Delegacia Regional da Polícia Civil na cidade, mas não conversou com a imprensa. Mas, seu marido, Flaviano Carvalho, declarou que acredita em “imprudência” do motorista do coletivo no momento do acidente.
Flaviano não foi oficialmente ouvido pela Polícia Civil. Ele apenas acompanhou a esposa, que passou mal durante o depoimento. No tempo em que falou, ela apresentou documentos que mostram que o ônibus envolvido no acidente era arrendado à JS Turismo, empresa que, de acordo com o genro dos proprietários, tinha autorização para operar a linha entre Mata Grande e (AL) e São Paulo.
“O ônibus pertence à empresa Localima, mas tem um contrato de arrendamento com a empresa JS. A empresa JS é que tem o poder e o direito de trafegar nesta linha. Por isso, o ônibus era arrendado”, afirmou Flaviano.
O homem também disse que uma vistoria foi feita no ônibus envolvido no acidente, em outubro, mês em que completou um ano de arrendamento do veículo com a JS, segundo o representante da Localima. Flaviano também garantiu que há seguro em vigor, que é pago mensalmente, e que os papéis foram anexados no inquérito.
Sobre o motorista, Flaviano Carvalho disse que Luiz Viana de Lima foi contratado de forma “temporária” pela Localima. Dentro do ônibus, havia um segundo condutor. No momento do acidente, ele estava dormindo nas últimas poltronas e faleceu na queda do veículo. O representante da empresa diz que acredita em “imprudência” por parte de Viana.
“Só o motorista vai poder explicar se foi uma falha humana, mas acreditamos que foi uma imprudência do motorista. Depois do acidente, o motorista fugiu do local e a gente não teve mais contato”, concluiu.