27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Cotidiano

Mundo novo: Primeiros dias de aula requerem atenção especial para estreantes da Educação Infantil

Pais e educadores devem se ajudar para fazer a criança entender que a escola é um ambiente seguro e acolhedor

Texto: Delane Barros

O início do ano letivo na Educação Infantil é um período de adaptação, tanto para as crianças quanto para os pais. Na maioria das unidades de ensino de Maceió, as aulas começam na próxima segunda-feira (3/02). O momento requer uma acolhida toda especial para os pequenos que, pela primeira vez, irão experimentar o ambiente escolar. Quem reforça essa necessidade é a coordenadora pedagógica da Escola Semente, Eveline Maciel.

Para ela, é natural os pais chegarem um pouco inseguros. Afinal, é um mundo novo que está sendo apresentado à criança e muitas expectativas são geradas. O cuidado é para que essa ansiedade e insegurança não sejam repassadas à criança. “É importante a presença de uma pessoa da família junto da criança com a disponibilidade de ajudar, de se mostrar presente, mas somente em caso de necessidade. Assim, a criança vai perceber que a escola é um ambiente seguro e acolhedor”, explica Eveline.

Divulgação

A experiência de cada criança é única. “Nossa orientação é acompanhar a criança uma semana, em média, mas há casos em que o familiar precisa passar até um mês. É o tempo de cada um”, reforça. “Porque tudo é novo para todos”, completa Eveline que possui quase 30 anos de experiência na área da Educação.

O pequeno calouro pode ser acompanhado em momentos como a ida ao banheiro ou ao parquinho da escola. Segundo a coordenadora pedagógica, nesses instantes, ao ver o pai, a mãe ou outro familiar de convívio direto, a criança começa a compreender que faz parte do ambiente e vai se acostumando.

A educadora dá mais uma dica para essa fase de adaptação. Para ela, os pais não devem tentar assumir o papel da professora na sala de aula. “Ao fazer isso, a criança não confiará na profissional que estará com ela no ambiente escolar”, justifica.

Outro ponto importante para os estreantes é a pontualidade no momento de buscá-los no final das aulas. O atraso pode ser prejudicial. De acordo com Eveline, essa convivência irá garantir a interação entre as crianças e permitirá que se sintam parte do processo e se reconheçam no espaço da escola.

Para Andréa Lima, também coordenadora pedagógica da Escola Semente, a interação ainda permite que um aprenda com o outro. “Não vivemos numa sociedade na qual todos estão no mesmo nível. O mundo exige essa convivência. A escola é isso. É lidar com o igual, com o diferente, com o inusitado”, explica Andréa.

Para as duas coordenadoras pedagógicas, as brincadeiras com interação não devem ficar de fora na formação dos menores. Todas as experiências são exploradas. “É quando vemos, por exemplo, que algumas crianças só percebem as vogais das palavras e outras, apenas as consoantes”, justificam. O contato, a interação, o dia a dia é que enriquecem o vocabulário, o aprendizado e a construção de relações saudáveis.

Com mais de 30 anos de experiência no mercado alagoano, a equipe da Escola Semente defende que o ano escolar é a porta que se abre para a formação da personalidade do ser que inicia seu processo de construção social e pessoal.

CARINHO E FIRMEZA

A psicóloga Ana Paes afirma que as primeiras semanas de adaptação poderão deixar a criança muito sensível. “Muitas emoções poderão vir à tona, como irritabilidade, frustrações e medo. Muitas vezes, traduzidas em choro”, explica. De acordo com Ana, a figura dos pais tem um papel fundamental para regulação emocional da criança, pois funciona como fontes de apego e vínculos seguro. “É necessário que os pais estejam bem trabalhados na hora da despedida agindo com muita tranquilidade, carinho e firmeza, pois se a criança perceber a insegurança dos pais, poderá aumentar a sensação de abandono e desespero, o que pode prejudicar, e muito, a relação da criança com a escola”, alerta.

Para a psicóloga, a ansiedade e a insegurança são sentimentos considerados naturais quando bem dosados e são vivenciados por todas as pessoas diante de situações novas, inclusive no contexto escolar. “Com os pequenos também é assim, pois de repente passará uma parte do seu dia em um ambiente que não é o seu, onde precisará conviver com pessoas estranhas e se adaptar a novas regras”, diz.

Ela recomenda que a criança seja acompanhada pela principal figura de apego dela. “Quando perceber que a criança está mais entrosada, o responsável deve aproveitar para se afastar um pouco dela, avisar e cumprir com o que for prometido”, sugere.