15 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
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No vídeo: Uma jovem esmurrada barbaramente ou a perda provisória da consciência do agressor?

Já não bastam 2.700 casos de feminicídios em Alagoas nos últimos dois anos?

Neste caso, a delegada Ana Luíza Nogueira, da Polícia Civil, pediu a prisão preventiva do agressor

O doutor Raimundo Palmeira é um criminalista experiente e brilhante em sua carreira. E como tal tratou de se antecipar na defesa de um policial militar que agrediu uma mulher de forma bárbara e repugnante, em um  posto de combustível, em Maceió, esta semana.

É claro que o agressor tem seu direito à defesa. Mas, o que o advogado pontuou antecipadamente na mídia foi uma hermenêutica jurídica  que diz “dê-me o fato e dar-te-ei o direito”.

E no caso específico “o fato” que convém para fazer a defesa de um agressor incontinente. É papel do advogado defender o cliente por meio de normas e estratégias que, muitas vezes, até escondem os fatos.

E, claro, não se diz aqui que o nobre advogado assim o fez ao levantar o argumento da “perda provisória de consciência” do agressor.

Mas, quem assistiu ao vídeo do militar agredindo à jovem e depois indo até o corpo estendido no chão, para o deboche final, e não se indignou com isso é por que, simplesmente, perdeu essa condição de sentimento diante da banalização da violência e do ódio nos dias atuais.

O Brasil hoje é o quinto País no mundo na prática de agressões físicas contra as mulheres, incluindo aí os casos de feminicídios, segundado dados do Cejus/FGV.

Na última semana, três casos de feminicídio foram registrados em Maceió. Os dados foram apresentados em uma passeata do Movimento Pró Mulheres, que apontou ainda 2.700 casos de femincídios nos últimos dois anos em Alagoas.

A passeata contra essa barbárie teve a participação de 250 mulheres. O que demonstra que muito pouca gente está preocupada com o descambar da violência abominável contra as mulheres.

No ritmo que as coisas estão indo há até quem concorde que o tapa na cara ou a facada no abdomem de uma mulher é sempre culpa da vítima.