20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Número de empregados domésticos sem carteira assinada é recorde no País

Sem geração de empregos em outras atividades, trabalhadores vão para o mercado informal

Mulheres negras e de baixa escolaridade são maioria nesse mercado informal

Em um cenário de desemprego elevado e de baixíssima recuperação das vagas formais no mercado de trabalho, cerca de  6,356 milhões de brasileiros encontraram sustento nos serviços domésticos.

Nunca o País teve tantas pessoas trabalhando como empregados domésticos. A maioria, inclusive, sem o reconhecimento formal da legislação trabalhista, mesmo pós-reforma.

Os dados são referentes ao trimestre encerrado em novembro de 2019, última divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A série foi iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do recorde, o número de empregados domésticos com carteira de trabalho assinada caiu ao menor patamar da série, 1,757 milhão em novembro. Outros 4,598 milhões atuavam na informalidade, montante mais elevado já registrado.

É um emprego feminino, especialmente de mulheres negras, marcado pela baixa escolaridade e baixa renda. E é um perfil que tem envelhecido ao longo dos anos”, resumiu Luana Pinheiro, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que estuda o assunto.

As mulheres representam 97% dos trabalhadores domésticos no País, lembrou Cimar Azeredo, diretor adjunto de Pesquisas do IBGE. Diante da atual dificuldade de inserção em outras atividades, elas buscam o serviço doméstico como única alternativa para fugir do desemprego.

Os dados são significativos e revelam tão somente que a economia no País “cresce” para poucos, uma vez que a distribuição da riqueza fica nas mãos de pouquíssimos privilegiados.

Com isso,  emprego doméstico é uma opção de trabalho quando outras atividades não geram vagas para manter nem absorver mais trabalhadores, como ocorre no Brasil da atualidade.