11 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Nunes Marques dobra Bolsonaro, que tira indicação de desafeto para vaga no STJ

Ecolha demorou meses devido à resistência de Nunes Marques ao nome do desembargador Ney Bello, que era uma das opções favoritas do presidente

O Diário Oficial desta segunda-feira (1) foi publicado com os nomes dos dois novos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ): Messod Azulay Neto, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) e o desembargador Paulo Sérgio Domingues do TRF-3. Eles vão agora para aprovação do Senado Federal.

Segundo a colunista do UOL Juliana Dal Piva, a escolha de Domingues representa uma vitória para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques. O ministro nega.

A escolha demorou meses devido à resistência de Nunes Marques ao nome do desembargador Ney Bello, que era uma das opções favoritas do presidente da República.

Nos últimos dias, Nunes Marques informou a interlocutores de Bolsonaro que poderia romper com o governo se o nome de Bello, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), fosse confirmado como ministro do STJ, informou Dal Piva.

As duas vagas foram abertas após a aposentadoria dos ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Nefi Cordeiro.

Crise interna

A reviravolta que retirou o nome de Ney Bello, favorito até dias atrás, ocorreu devido a um veto do ministro ao nome do antigo colega de TRF-1.

Interlocutores do presidente contaram à coluna no domingo (31) que Nunes Marques disse que poderia romper com o governo se Ney Bello fosse indicado.

Ney Bello perdeu a vaga mesmo com o apoio do ministro Gilmar Mendes, do STF, para a indicação. Ele ainda tinha sinal positivo de vários interlocutores do presidente. Entre eles, o advogado Frederick Wassef, que representa a família Bolsonaro em diferentes casos.

A escolha de Bolsonaro deixou o advogado bastante irritado já que ele defendia o nome de Ney Bello. A crise começou ainda na quinta-feira (28) quando aliados do presidente informaram Nunes Marques que Bolsonaro faria as indicações.

Desde então, o ministro deixou claro que era contrário. A coluna apurou que vários interlocutores do presidente tentaram convencer Nunes Marques nos últimos dias a aceitar a nomeação do ex-colega do TRF-1. No entanto, o ministro do STF se mostrou irredutível no veto.

As diferenças entre Nunes Marques e Ney Bello teriam começado em 2020, na época da indicação do ministro ao STF. Depois disso, os dois nunca mais tiveram proximidade.