Nunes Marques é acusado de censura após suspender pesquisa a pedido de Flávio Bolsonaro

Esquerda classificou decisão como censura; bolsonaristas foram discretos para não reavivar caso Vorcaro

A esquerda classificou como censura a suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg (considerada negativa para Flávio Bolsonaro) e ligou alerta sobre o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.

A direita foi discreta ao comentar a decisão, evitando levantar novamente o assunto da relação do pré-candidato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que Flávio tem enfrentado “um profundo desgaste” após a revelação de que pediu dinheiro ao então dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, e que o senador seguiu a máxima de “quando não consegue ganhar na mensagem, ataca o mensageiro”. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que Flávio deu um “tiro no pé” ao “pedir censura” por trazer “de volta o tema do vazamento do áudio”.

O próprio PL decidiu não fazer alarde sobre a decisão de Kassio (que chegou ao STF por indicação de Jair Bolsonaro). Flávio compartilhou a notícia nas redes com os dizeres “TSE suspende pesquisa que induzia respostas contra Flávio Bolsonaro”, mas não divulgou nota ou vídeo.

Nos bastidores, o PT ligou alerta: até então confiantes de que poderiam “neutralizar” uma suposta proximidade de Kassio com o bolsonarismo, lideranças do partido entendem que o presidente do TSE não está imune às pressões desse campo.

Os petistas temem que, em casos futuros, Kassio resista menos em atender pleitos do PL. Apesar disso, o mais provável é que o PT não se envolva nessa discussão (o raciocínio é de que não vale a pena se indispor com o presidente do TSE com a eleição se aproximando por um assunto que não envolve diretamente o partido).

Flávio acionou a corte eleitoral em 19 de maio (foram 20 dias até a decisão da segunda, 8, o que esvaziou o efeito prático). O levantamento (primeiro divulgado após a revelação do caso Dark Horse) mostrou Flávio seis pontos percentuais atrás de Lula em eventual segundo turno.

O questionário apresentou o áudio de Flávio a Vorcaro aos entrevistados como último item (após 48 perguntas, as primeiras sobre intenção de voto). Foram ouvidas 5.032 pessoas pelo método Atlas RDR (recrutamento digital aleatório) entre 13 e 18 de maio.

A AtlasIntel defendeu o rigor científico da pesquisa e disse que a coleta de intenções de voto ocorreu sem que o áudio fosse reproduzido durante a aplicação do questionário (o material só foi apresentado em etapa posterior, sem possibilidade de retorno às perguntas). A pré-campanha do PL afirmou que o questionário foi “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa” sobre Flávio.

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