20 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
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O deus mercado nos castiga e mata aos poucos; e ainda há satisfeitos

O neoliberalismo é cruel, deixa-nos refém do deus mercado, que chega a ser mais cruel do que o deus do Velho Testamento.

Pelo menos o deus antigo matava o povo de forma fulminante, por besteiras como a prática do coito interrompido, olhar para trás enquanto uma cidade era destruída, colher madeira no sábado ou, simplesmente, porque ele fez uma aposta com satã e ferrou todo mundo ao redor de Jó.

Já o deus mercado mata aos poucos, com requintes de sadismo. As últimas dessa divindade? Bem, cerca de dez mil famílias serão afetadas com o fechamento das fábricas da Ford no Brasil e de agências do Banco do Brasil.

O país vive um preocupante processo de desindustrialização e de desmonte do Estado para dar o resultado que estamos vendo: quem é rico, fica cada vez mais rico à custa da perda do emprego e da deterioração do nível de vida da população.

Não consigo entender a parcela considerável dos brasileiros para quem está tudo uma maravilha, principalmente, os mais vulneráveis.

Ou melhor, entendo, sim. O deus mercado e o deus Mamon, a quem a maioria dessas pessoas serve, deram as mãos para, com seu exército, destruir esse país que tem tudo para ser uma potência.

Funciona assim: não tem emprego, não tem dignidade, nem garantia de vida diante de forças de segurança cada vez mais despreparadas e comprometidas com o lado errado da história. Mas, pelo menos, atazanamos os gays.

Se essas pessoas realmente fossem cristãs, pensariam no bem de todos e não em infernizar o próximo.

O resultado do avanço das igrejas e do seu conservadorismo doentio sobre a política está aí: os mais sem-vergonha chegaram ao poder e Bolsonaro segue com seu projeto anunciado durante a campanha, de fazer o Brasil ser o que era há 40 anos.

Pena de quem tem juízo.