25 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Para Aldo Rebelo, Bolsonaro está atormentado e não tem apoio militar para golpe

O ex-ministro da Defesa, ex-ministro da Articulação Política e ex-presidente da Câmara dos Deputados, entretanto, é contra um impeachment

Ex-ministro da Defesa, ex-ministro da Articulação Política e ex-presidente da Câmara dos Deputados. Com currículo de peso, o ex-deputado alagoano Aldo Rebelo é um dos políticos brasileiros com maior trânsito entre as searas militar e política.

E para ele, o presidente Jair Bolsonaro se engana quando pensa que teria apoio das Forças Armadas para qualquer “aventura” fora dos trâmites da democracia.

Aldo acredita que vê um presidente atormentado por investigações e que cometendo arroubos e ameaças às instituições democráticas. Essas que contam com apoio de “meia dúzia de fanáticos”, mas não do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

“Sinto o nosso presidente um homem atormentado, quase que à beira do desequilíbrio emocional. Ele está atormentado com coisas que só ele deve conhecer para lançar mão desses arroubos que não têm base na realidade. Ele não vai contar, no Brasil de hoje, a não ser com meia dúzia de fanáticos para qualquer tipo de aventura. Mas como ele é atormentado por investigações das milícias, de seus filhos, e agora, com a denúncia do Moro (ex-ministro da Justiça e Segurança Pública), ele apela para uma fraseologia de ameaça, que não vejo que terá consequência.” Aldo Rebelo.

As ameaças de um rompimento institucional foram sentidas no último domingo, quando o presidente compareceu a uma manifestação, na qual centenas de apoiadores se aglomeraram em frente ao Palácio do Planalto, defendendo o governo, mas também clamando por intervenção militar e bradando contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

“As Forças Armadas não vão interferir para prejudicar o presidente nem para proteger erros do presidente. Elas serão leais ao presidente da República em sua missão institucional. Tudo que o presidente precisar de forma legítima, ele vai contar como todos os presidentes contaram. Isso tudo dentro da lei”, disse o ex-ministro, em entrevista ao Metrópoles. “Não creio que haja o menor clima para qualquer tipo de aventura à margem dos marcos da legalidade”. Aldo Rebelo.

Para Rebello, Bolsonaro precisa ser responsabilizado pelos seus erros:

“O presidente tem cometido muitos erros que não são aceitáveis. Não se pode passar a mão na cabeça do presidente. Ele afronta as instituições, comparece a atos que ameaçam fechar o Congresso, fechar o Supremo. Ele não pode fazer isso. Ele é chefe de um poder e não pode afrontar os demais”. Aldo Rebelo.

Ele, no entanto, é contra os processos de impeachment como forma de se resolver o problema.

“Eu sempre tenho muito receio desses processos de impedimento de presidentes da Republica. Eu já passei por dois, do presidente Fernando Collor, que foi um desastre para o país, e o mais recente, da presidente Dilma, quando inventaram um crime, as pedaladas, apenas para afastá-la da presidência. Também com consequências lamentáveis para o Brasil”. Aldo Rebelo.