28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Para Barroso, chances de Bolsonaro acabar com democracia estão mortas e enterradas

“O 7 de setembro foi bem o sepultamento do golpe. A extrema-direita radical no Brasil é bem menor do que se alardeava, as policiais militares não aderiram, nenhum oficial da ativa relevante deu qualquer apoio”

Depois de dois anos na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Luís Roberto Barroso deixará o cargo na próxima terça-feira (22).

Neste período, ele organizou uma eleição municipal ainda no primeiro ano da pandemia da Covid-19, criou uma comissão de transparência com um indicado das Forças Armadas e fez parcerias com redes sociais para evitar compartilhamentos de desinformações.

Além disso, o mais importante, precisou lidar com a intempestividade e ameaças democráticas do presidente Jair Bolsonaro, que passou boa parte do governo querendo derrubar o Judiciário. E afirmando que as urnas não são confiáveis e que ele não aceitaria uma derrota nas eleições de 2022.

Entrevista à GloboNews, o ministro foi então questionado sobre a possibilidade de Bolsonaro tentar dar um golpe caso saia perdedor do pleito presidencial deste ano, e avaliou que “maus perdedores” existem em todos os lugares, e que “não há remédio na farmacologia jurídica” para essas pessoas.

Porém, no que diz respeito a um possível golpe, ele não vê essa possibilidade, haja vista que “as instituições brasileiras são sólidas”:

“Eu acho que o 7 de setembro foi bem o sepultamento do golpe. Compareceram menos de 10% do que se esperava, quer dizer a extrema-direita radical no Brasil é bem menor do que se alardeava, as policiais militares não aderiram, nenhum oficial da ativa relevante deu qualquer apoio àquele tipo de manifestação. O presidente compareceu, fez um discurso pavoroso, golpista, de ameaças a pessoas a ofensas. Disse ‘não vou cumprir decisão judicial’ e, dois dias depois, mudou completamente o discurso, procurou as pessoas que ele tinha ofendido para conversar… De modo que eu acho que ali se relevou que a sociedade brasileira não aceitaria nada diferente“. Luís Roberto Barroso, ministro do STF e ainda presidente do TSE.

No dia 7 de setembro do ano passado, Jair discursou na Avenida Paulista e disse que não acataria mais as decisões judiciais e fez ataques pessoais a Alexandre Moraes. Dias depois, pediu ajuda para o ex-presidente Michel Temer e se desculpou em uma carta – que ele não escreveu.

Mentiras

Luís Roberto Barroso também repercutiu uma live realizada por Jair Bolsonaro, em que o presidente diz que as Forças Armadas teriam encontrado “vulnerabilidades” no sistema de votação brasileiro.

Segundo o ministro, o chefe do Executivo mentiu, e ressaltou que as Forças “não apontaram coisa alguma”.

“A mentira já estava pronta. E é lamentável envolver as Forças Armadas, que são um setor respeitado da sociedade brasileira, que têm o prestígio que deve ter, e que não devem ser jogadas em discursos políticos menores de varejo e de campanha. E, portanto, nós temos muita convicção que isso não vá acontecer”. Luís Roberto Barroso.

No mesmo dia da entrevista, o TSE divulgou um documento em que assegura a credibilidade das urnas eletrônicas como dispositivos seguros para a realização das eleições.

O TSE enviou uma série de respostas para as Forças Armadas sobre 80 dúvidas apresentadas em relação às urnas eletrônicas. O documento tem 700 páginas e, a pedido dos militares, estava sob sigilo. Diante de vazamentos sobre seu teor, porém, Barroso decidiu divulgá-lo antes do previsto.