9 de março de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Para Bolsonaro não precisa pressa para vacinar o brasileiro contra Covid

País tem mais de 7 milhões de pessoas com o vírus e 186.205 mortos por caus da doença

Bolsonaro e o filho: sem pressa pela vacina, apesar de mais de 186 mil mortes

No dia em que o Brasil contabilizou 186.205 óbitos e 7.200.708 casos de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a minimizar os dados e disse que a “pandemia realmente está chegando ao fim”.

Segundo ele, os números “têm mostrado isso aí”, embora levantamento da Universidade John Hopkins indiquem que houve 18,65 milhões de novos casos no mundo em novembro, o maior número registrado em um período de 30 dias desde o início da pandemia.

O presidente fez a declaração neste sábado, 19, durante uma entrevista ao próprio filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), no programa “O Brasil precisa saber“, via YouTube.

Para Bolsonaro o que está ocorrendo no Brasil, onde o número de casos da doença também tem crescido, é uma “pequena ascensão, que chamam de pequeno repique, que pode acontecer”.

Mesmo com os números mostrando o contrário do que diz o presidente, ele reafirmou que a pressa em se ter uma vacina não se justifica, pois, ele acrescentou, isso mexe com a vida das pessoas. “Vão inocular algo em você. O seu sistema imunológico pode reagir, ainda de forma imprevista”, observou.

O presidente voltou a ressaltar que não se pode fazer uso de qualquer tipo de imunização sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Isso é uma irresponsabilidade. Tendo uma vacina comprovada, a gente vai comprar e vai distribuir para todo o Brasil e para aquele que quiser, voluntariamente, se vacinar”, destacou.

Guerra e politização

Bolsonaro negou haver, de sua parte, qualquer tipo de “guerra” ou “politização” em torno da vacina. Ele ressaltou que tem que haver prudência para adotá-la. “Parece que a Inglaterra começou a vacinar agora. Por que que a gente tem que ser o primeiro? Aguarda um pouco mais. Você mexe com a vida das pessoas. Alguns estão afoitos para tomar, eu entendo. Mas às vezes, um pouquinho mais de paciência… eu acho que a prudência é importante nesse momento”.

Mesmo negando uma “politização”, o presidente mandou um recado ao governdor de São Paulo, João Doria: “Viu governador? Não estamos com pressa em gastar dinheiro não”, falou, referindo-se aos R$ 20 bilhões que o governo de São Paulo investe na compra da Coronavac.