26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Perdido, Bolsonaro chama de fake news informação do Diário Oficial

Em 68 dias de governo, Bolsonaro deu 82 declarações falsas ou distorcidas; Um novo militar vai coordenar as redes sociais

Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro foi categórico e em poucas palavras afirmou que era fake news a escalação de um militar para coordenar a estrutura de mídias digitais e reforçar a comunicação oficial do Palácio do Planalto.

O problema é que o novo nome para comandar as mensagens oficiais do Planalto não só era verdade, como noticiado pela Folha, como havia sido publicado no Diário Oficial da União, em despacho assinado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

O coronel Didio Pereira de Campos, ex-chefe da assessoria de imprensa do Exército, comandará uma nova estrutura chamada Comunicação Global, ficará responsável pelo monitoramento das redes sociais, publicidade oficial e criação de conteúdo, precisa chegar com urgência, pois claramente Jair Bolsonaro (ou seja lá quem esteja usando seu Twitter) não sabe o que está fazendo.

Nesta segunda, a agência de checagem ‘Aos Fato’s divulgou um levantamento que constata o alto grau de divulgação de informações falsas por parte do presidente.

Em 68 dias de governo, Bolsonaro deu 82 declarações falsas ou distorcidas. Ao todo, de acordo com a agência, foram 149 declarações “passíveis de checagem”. A média de informações falsas ou com algum grau de erro disseminadas pelo capitão da reserva é de 1,4 por dia.

Desventuras online

Só neste mês, em sua conta oficial no Twitter o presidente Jair Bolsonaro postou um vídeo obsceno, com um homem manipulando o ânus e urinando em outro. Depois, em live no Facebook, fez promessas de campanha, como o fim das lombadas eletrônicas e soltou uma mentira sobre cartelas de vacinação infantil que teriam imagens impróprias para menores.

Pior, neste domingo, o Chefe do Executivo brasileiro compartilhou um vídeo com uma edição mentirosa e inflamou seus apoiadores – tal qual durante a campanha eleitoral – denunciando uma jornalista do Estado de São Paulo, que só faria matérias sobre o laranja Queiroz para atingir pessoalmente Bolsonaro e seu filho Flávio.