27 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Pesquisa diz que Brasil é o País que mais mata travestis e transexuais

Entre as vítimas, duas foram mortas apedrejadas e uma espancada e enforcada.

A homofobia é crescente no Brasil e o maior número de casos está no Nordeste

O Brasil vai se tornando o País mais homofóbico do mundo, segundo o  Dossiê de Assassinatos e Violência contra Travestis e Transexuais do País.

Os dados apurados em 2019 revelam que os crimes homofóbicos mantém o país na vergonhosa posição de 1º lugar no ranking mundial. O levantamento foi feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e revelado pela coluna do jornalista Ancelmo Gois, de O Globo.

De acordo com a pesquisa, em 2019, foram pelo menos 124 casos – cada um deles minuciosamente confirmados. Do total de casos, só 11 tiveram suspeitos identificados pela polícia.

O detalhe é que a maioria das vítimas era negra (82%), do gênero feminino (97%), estava no Nordeste (37%) e tinha entre 15 e 29 anos: 59,2%, sendo que três delas tinham só 15 anos; duas foram apedrejadas até a morte e a outra, espancada e enforcada.

A maioria das vítimas, 67%, eram travestis e mulheres transexuais profissionais do sexo, “que são as mais expostas à violência direta e vivenciam o estigma que os processo de marginalização impõem a essas profissionais”.

A subnotificação, como em outros indicadores sociais, também continua um problema. Ainda há formulários de atendimento a vítimas de violência – em delegacias e hospitais, por exemplo – que não incluem marcadores de orientação sexual e/ou identidade de gênero.

O estudo reforça que “nenhuma ação foi tomada pelo governo brasileiro em relação à LGBTIfobia” e que “pessoas LGBTI+ continuam sendo espancadas à luz do dia e há grupos de ódio eclodindo pelo país”.