14 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

PF acha áudio de Bolsonaro usando Abin paralela para defender filho Flávio

Quatro pessoas foram presas em nova fase da operação Última Milha

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (11) a 4ª fase da Operação Última Milha. O objetivo é desarticular organização criminosa voltada ao monitoramento ilegal de autoridades públicas e à produção de notícias falsas, utilizando-se de sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo Jair Bolsonaro.

Pior para o ex-presidente, já que a PF encontrou no computador do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem uma gravação de áudio de uma reunião com o então presidente da República Jair Bolsonaro, na qual discutem um plano para blindar um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de investigações sobre desvios de recursos.

A gravação mostra que Bolsonaro deu o aval a um plano apresentado por Ramagem para abrir procedimentos contra os auditores fiscais que investigaram Flávio Bolsonaro, com o objetivo de anular as investigações do caso das rachadinhas —desvios de recursos dos funcionários de seu gabinete durante o período em que era deputado estadual.

A estratégia traçada por Ramagem de fato foi colocada em prática, e a investigação sobre o filho do presidente acabou sendo anulada na Justiça. Para a PF, o áudio comprova o uso da estrutura da Abin em defesa dos interesses pessoais de Jair Bolsonaro.

Carlos

A PF mira ex-integrantes da Abin durante a gestão do ex-diretor Alexandre Ramagem, atual deputado federal pelo PL-RJ e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.

A investigação da PF sobre os desvios na Abin já identificou indícios de que Ramagem abastecia o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro com informações. Por isso, o “filho 02” do ex-presidente chegou a ser alvo de busca e apreensão em uma fase anterior. Ele não é alvo de mandados nesta nova fase.

Policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nas cidades de Brasília/DF, Curitiba/PR, Juiz de Fora/MG, Salvador/BA e São Paulo/SP.

Até o momento foram presos:

  • Mateus Sposito, que foi assessor no Ministério das Comunicações no governo Bolsonaro e é suspeito de também atuar para o “gabinete do ódio”;
  • Richards Pozzer, que divulgava notícias falsas em suas redes sociais e chegou a publicar ataques contra senadores da CPI da Covid;
  • O policial federal Marcelo Bormevet, que foi levado para a Abin por Ramagem para comandar um órgão de inteligência;
  • O militar do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues, que trabalhava na Abin subordinado a Bormevet.

Nesta fase, as investigações revelaram que membros dos três poderes e jornalistas foram alvos de ações do grupo, incluindo a criação de perfis falsos e a divulgação de informações sabidamente falsas. A organização criminosa também acessou ilegalmente computadores, aparelhos de telefonia e infraestrutura de telecomunicações para monitorar pessoas e agentes públicos.

Os investigados podem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, interceptação clandestina de comunicações e invasão de dispositivo informático alheio.

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