24 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Polarização política e receio com violência faz Exército mudar planejamento das Eleições 2022

Pior cenário seria o “cenário Capitólio” nacional, embora haja dúvidas acerca do real risco de isso acontecer nos dois meses restantes deste mandato do capitão reformado do Exército

Todos os 67 exercícios militares principais previstos para o ano, que se concentram no último trimestre, foram adiantados e deverão ser executados até no máximo setembro.

Isso porque o Exército Brasileiro teme incidentes de violência na eleição de outubro ou depois do pleito e decidiu alterar o seu cronograma de trabalho em 2022.

O Alto-Comando do Exército se preocupa com o tema da polarização, levando em conta o cenário atual das pesquisas eleitorais. Para ser mais claro: uma disputa em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sai com favoritismo, buscando ganhar no primeiro turno, e na qual o atual titular do Planalto, Jair Bolsonaro (PL), ainda ocupa a segunda posição, apesar da precariedade da curva de seus números.

Generais e outros oficiais temem que a situação possa descambar para incidentes pontuais de violência ou contaminar discussões nas disputas estaduais —levando ao eventual pedido de socorro às Forças, que já estarão mobilizadas para o pleito deste ano.

Segundo a Folha, esses chefes militares especulam sobre como os apoiadores de Bolsonaro, que veem como mais radicalizados neste momento, irão reagir se o líder perder a eleição ou nem se qualificar a um eventual segundo turno.

Seria o “cenário Capitólio” nacional, embora haja dúvidas acerca do real risco de isso acontecer nos dois meses restantes deste mandato do capitão reformado do Exército, em que pese a incerteza acerca das mais bolsonaristas polícias militares.

O termo é referência ao episódio de um ano atrás, quando em 6 de janeiro de 2021 partidários de Donald Trump invadiram o Congresso americano e interromperam a sessão que ratificaria a derrota do presidente republicano para o democrata Joe Biden, ocorrida no novembro anterior.