28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Primeira morte pelo Covid-19 no Rio foi de doméstica infectada pela patroa

Dona da casa havia voltado da Itália, país com o maior número de mortos provocados pelo Covid-19

Até o momento, o Rio de Janeiro contabiliza duas vítimas fatais por causa do novo coronavírus. E a primeira delas foi de uma uma empregada doméstica de 63 anos, que trabalhava no Alto Leblon, bairro da zona sul do Rio, o metro quadrado mais valorizado do país.

Ela trabalhava na casa por mais de 10 anos até a última segunda-feira (16), quando apresentou os primeiros sintomas do coronavírus e morreu no dia seguinte. Sua patroa havia voltado de viagem recentemente da Itália, país que já registra o maior número de mortes pela doença, e aguardava o resultado do exame quando a empregada chegou ao trabalho no domingo (15).

A família da doméstica, que morava em outro bairro a 120 km de onde trabalhava, está em quarentena. A vítima ficaria até hoje no apartamento do Alto Leblon, como fazia toda semana. Em razão da distância entre sua casa e o trabalho, morava no emprego uma parte da semana. Mas, já na segunda, começou a passar mal.

A patroa telefonou para familiares pedindo que alguém fosse buscá-la. Um taxista a levou de volta a Miguel Pereira, de novo, 120 km distante, e ela foi internada no mesmo dia. A falta de ar evoluiu rapidamente, mas a entubação não foi suficiente e ela morreu na terça (17).

Pouco antes da morte, do outro lado do estado vinha a confirmação: o teste da patroa deu positivo para o coronavírus. A família crê que o isolamento da empregadora poderia ter evitado a morte.

“Estamos muito atordoados, mas precisamos conscientizar as pessoas da gravidade da doença. Quem voltou de viagem da Europa e apresentou os sintomas não deve ter contato com outras pessoas. O isolamento podia ter evitado essa morte. Foi muito rápido. Como ela passou em casa antes de dar entrada no hospital, todos que moravam na mesma casa que ela estão de quarentena. E hoje à tarde fizeram o teste para o coronavírus”. Cunhada da primeira vítima no Rio.

A situação é um caso exemplar do que pode acontecer no Brasil: pessoas que voltaram do exterior, e que normalmente são as com mais condições financeiras, foram as primeiras a trazer o vírus para o país. E estas têm condições de se tratar em hospitais particulares. O restante da população, principalmente as classes bem mais pobres, não. E são enxotadas para o sistema público de saúde.

Não há caso mais emblemático do que está por vir, do que o que aconteceu com essa doméstica no Rio.