28 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Produção de EPIs de engenheiros da Ufal contra COVID-19 é finalista em premiação nacional do MP

Máscaras protetoras foram reforço para o trabalho de parte dos 35 mil profissionais da saúde de Alagoas,

A produção de EPIs do Laboratório de Computação Científica e Visualização (LCCV) da Ufal, que contou com financiamento do Ministério Público do Trabalho de Alagoas (MPT/AL), está entre os finalistas do Prêmio do CNMP – o Banco Nacional de Projetos do Ministério Público.

Esse projeto começou logo no início da pandemia de COVID-19, objetivando produção de máscaras do tipo “face shield”, para uso de profissionais de saúde. Foi uma realização de engenheiros do Laboratório de Computação Científica e Visualização (LCCV) do Centro de Tecnologia (CTEC) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O LCCV e o FABLAB UFAL, utilizando tecnologias digitais, como impressão 3D e corte a laser, produziram as estruturas dos “face shields” e os escudos, utilizando impressoras 3D e equipamentos adquiridos com o financiamento do projeto.

Os EPIs contribuem com o trabalho de parte dos 35 mil profissionais da saúde de Alagoas, dos quais 12 mil estão envolvidos diretamente com o tratamento da COVID-19.

O trabalho, originalmente voluntário, ganhou corpo com um investimento do MPT e um financiamento para bolsistas do Ufal/MEC, permitindo uma produção cada vez maior de protetores faciais. Projeto esse que hoje concorre com vários outros dos MPTs de todo o Brasil.

Reforço após live

Luciana Vieira, professora da Ufal e uma das coordenadoras do grupo de produção dos EPIs no LCCV, lembra que após três meses de aprendizado, logo no início da pandemia, os trabalhos estavam sendo encerrados. Todos eram voluntários e os equipamentos emprestados estavam sendo devolvidos, após a produção de 1500 hastes, mas uma live com Rosa Tenório fez eles serem notados no MPT/AL.

“Nossa produção de EPIs para profissionais da área de saúde, em especial os locados na linha de frente, motivou uma live com Rosa Tenório, então em campanha para presidência do Crea. Nosso coordenador, Adeildo Ramos Júnior foi convidado e teve a oportunidade de conhecer Rosemeire Lobo, procuradora do MPT, que ficou interessada em nossa causa”. Luciana Vieira, professora e também coordenadora do grupo.

O que poderia ter acabado em três meses e com apenas 1.500 unidades, ganhou asas quando o MPT se disponibilizou a nos financiar. Colocamos o projeto no papel e recebemos o orçamento de quase R$ 290 mil, permitindo 3 meses de produção de 8 mil projetores, pagamento aos bolsistas e compra dos equipamentos.

E quando a Ufal, através do MEC, passou a financiar nossas bolsas e pessoal, o LCCV entrou em acordo com o MPT para um remanejamento dos recursos, permitindo que eles fossem direcionados para compra de material e produção. Isso permitiu que a produção final contabilizasse 12 mil protetores produzidos naquele ano.

Com o tempo, a meta final acabou sendo ampliada, chegando a um total de 12.016 unidades produzidas e entregues a 70 instituições de saúde em Maceió e no interior do Estado. Nelas incluídas instituições de proteção a idosos e moradores de rua em situação vulnerável.

Concorre a prêmio

A produção dos EPIs, realizada no LCCV-UFAL, surgiu com a urgência que se instalou em todo o Estado para que os profissionais da área de saúde, em especial os locados na linha de frente, tivessem condições suficientes de realizar suas atividades com a devida proteção e segurança. E hoje, concorre a um prêmio nacional:

“O MPT/AL teve a iniciativa de nos indicar para o Prêmio do CNMP. Com um orçamento de 5 milhões para projetos em Alagoas, o projeto de R$ 288 mil investidos no LCCV foi considerado como o que mais teve retorno e impacto. E por isso, o que mais tem chances de ser premiado”. Luciana Vieira.

A escolha, inclusive, foi recebida com muita honra e satisfação por parte do grupo, que busca conscientização da população para que a causa seja mais conhecida.

“O fato de terem nos escolhidos para esta premiação nos deixa honrados e satisfeitos. E com o projeto pré-habilitado, inicia-se uma campanha de engajamento e impacto do projeto, para que ele tenha chances nesta premiação. Por isso, é muito importante a divulgação sobre o projeto”. Luciana Vieira.

O grupo coordenado pelo LCCV da Ufal contou com 16 membros do laboratório e cinco consultores externos que focaram nas atividades de produção, pesquisa, desenvolvimento e inovação, transferência de tecnologia, prospecção por fontes de financiamento e por parceiros tecnológicos.

A medida visava conter/mitigar o avanço e propagação do vírus não só entre os referidos profissionais, mas também entre os cidadãos de maneira geral.

“Com a viabilização desse projeto espera-se contingenciar e mitigar o risco à exposição, transmissão e morbidade do coronavírus Sars-Cov-2 entre os profissionais de saúde que, segundo dados do Ministério da Saúde e da OMS, estão sendo infectados em torno de 12% dos casos confirmados. Sendo assim, contribuir-se-á para mantê-los saudáveis e aptos para o enfrentamento da pandemia”. Justificativa do projeto enviado ao MPT.