15 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Proteger a família e Militares contra ‘golpe’: O que Bolsonaro falou no vídeo da reunião

Conteúdo complica a situação do presidente e dificulta eventual arquivamento do inquérito por parte do PGR

O ex-juiz Sérgio Moro pediu demissão do Ministério da Justiça, alegando que o Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. E fez com que Augusto Aras, da Procuradoria-Geral da República abrisse um inquérito, solicitado pelo Supremo Tribunal Federal, para apurar as denúncias.

Deu que as denúncias de Moro foram gravadas em uma reunião do presidente com ministros no dia 22 de abril. Nesta terça (12), o ex-juiz da Lava Jato e demais partes assistiram o vídeo.

Apesar de pedidos na Câmara, principalmente da oposição, o vídeo ainda não se tornou público. Mas seu conteúdo sim. Confira o que foi testemunhado, em diversos jornais do país, sobre o que teria sido discutido na reunião – além da pauta sobre a PF:

  • Preocupação do presidente com um eventual cerco da Polícia Federal a seus filhos. Em uma das partes do vídeo, Bolsonaro diz:“Querem foder com minha família”
  • “Já tentei trocar o chefe da segurança do Rio de Janeiro. Se não posso trocar, troco o chefe dele, troco o ministro”.
  • “Não vou esperar foder alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro”
  • O presidente justifica na gravação que precisava de informações de inteligência da PF para evitar que investigações em curso na PF prejudicassem “a minha família e meus amigos” e reclama da falta de informações.
  • Bolsonaro chamando o governador de São Paulo, João Dória, de ‘bosta’ e pessoas do governo do Rio de Janeiro de ‘estrume’.
  • Jair Bolsonaro ‘justificou a necessidade de trocar o superintendente da corporação no Rio de Janeiro à defesa de seus próprios filhos’ alegando que sua família estaria sendo ‘perseguida’.
  • O presidente afirmou que iria interferir em todos os Ministérios e quanto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o Superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro, trocaria o Diretor Geral e o próprio Ministro da Justiça.
  • Não aceitaria ser alvo de impeachment por causa da divulgação de uma ‘porcaria de exame’ de Covid-19. Bolsonaro teria ressaltado que ele é quem comanda ‘as Forças Armadas’ e as usaria se preciso ‘para evitar um golpe’.
  • Abraham Weintraub: ‘que todos tinham que ir para a cadeia, começando pelos ministros do STF’
  • Damares Alves defendeu a prisão de governadores e prefeitos.

Bolsonaro

Após a informação de que Jair Bolsonaro é visto preocupado com seus familiares sendo ‘perseguidos’ e vinculou a mudança do superintendente da PF do Rio Janeiro a uma proteção de sua família em reunião com a presença de Sergio Moro, o presidente afirmou nesta terça-feira (12) que no vídeo não aparecem as palavras “Polícia Federal” ou “superintendência”. E que a gravação deveria ter sido destruída:

“Esse informante, esse vazador… Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal, nem superintendência. Não existem essas palavras (…). A reunião ministerial sai muita coisa. Agora, não é para ser divulgado. A fita tinha que ser, inclusive, destruída após aproveitar imagens para divulgação, ser destruída. Não sei porque não foi. Eu poderia ter falado isso, mas jamais eu ia faltar com a verdade. Por isso resolvi entregar a fita. Se eu tivesse falado que foi destruída, iam fazer o quê? Nada. Não tinha o que falar”. Jair Bolsonaro, presidente.

De acordo com investigadores da PF, o vídeo complica a situação de Bolsonaro e dificulta eventual arquivamento do inquérito por parte do procurador-geral da República, Augusto Aras. Detalhe: o próprio presidente foi um dos primeiros a dizer que a reunião fora gravada.