25 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Artigo

Próxima morte a ser comemorada é a do bolsonarismo

Ideologia de desinformação e culto à burrice ainda vai persistir por anos, mas sofrerá baque com o fim da presidência de Jair

Olavo de Carvalho morreu. E seus seguidores ficaram indignados com a reação, nada simpática e muito menos respeitosa, daqueles que comemoraram a notícia.

Não entenderam a catarse que foi a realização da morte, justamente por Covid-19, de um covarde que durante anos em sua salinha nos EUA propagou burrice, ódio contra minorias e abriu alas para sua cria mais danosa: o bolsonarismo.

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“E daí”, “não sou coveiro”, “é o destino de todo mundo”, “vou fazer o que?” ou “tem que deixar de mimimi”, além do mais recente “número de crianças mortas é insignificante“, são algumas das mais emblemáticas frases do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores nesta pandemia.

Isso sem falar do culto à morte de quem é “de esquerda”, “do PT” ou minorias e a distorção de um governo que afundou o Brasil numa crise sem precedentes. Tudo isso durante uma pandemia, ainda negada e que ceifou mais de 620 mil brasileiros.

Daí, após anos de muita desinformação e pura crueldade, não reagir com certo humor e até alegria ao fato de Olavo de Carvalho ter morrido por causa de uma das máximas de Darwin é muito difícil.

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O jantar de Bolsonaro com Olavo de Carvalho e Steve Bannon nos EUA

Claro, alimentados por falsas premissas e conclusões bizarras, os seguidores do guru do bolsonarismo questionaram o “ódio do bem”. E lembraram aqueles que criticaram as piadas sobre Marielle Franco, vereadora defensora dos direitos humanos que foi fuzilada por milicianos, e projetaram fazer o mesmo com a morte de Lula (e o Lula? e o PT?).

Conclusões essas que confirmam que, após a morte do guru, a próxima a ser celebrada é a morte do bolsonarismo.

Toda morte contém uma tragédia individual e familiar. Mas nem todo morto precisa ser celebrado. Muito menos, os seus ideais. E são justamente os ideais que demoram a ir embora.

Embora o terraplanista Olavo não esteja mais por aqui para dizer que “Pepsi usa fetos abortados em sua fórmula” ou que “só idiotas temem o suposto vírus chinês”, suas ideias, o olavismo, infelizmente, continua vivo. A morte do astrólogo, para isso, não contribuiu em nada. Apenas para transformá-lo num mártir.

E assim como o dito atentado em Bolsonaro o colocou como uma figura a ser venerada nas eleições 2018, o presidente precisa, com urgência, ser colocado em uma bolha. Absolutamente nada de fisicamente ruim deve acontecer com ele até o fim das eleições deste ano.

Nada de Covid grave, de um câncer terminal ou mesmo um novo atentado. Seu maior mal não é sua presença, mas o ideal que ele propaga. Dito como infalível por seus seguidores, que ruminam sem noção nenhuma as maiores burrices possíveis, Jair precisa continuar onde está para, aos poucos, ir matando ele mesmo o bolsonarismo.

Claro, seja lá quem vencer em 2022, a ideologia de culto à morte, apreciada por neonazistas e que distorce pregações religiosas (muito difícil negar que algo assim não seja fascista), o bolsonarismo continuará vivo. Mas relegado àquela margem de erro chata, dos menos de 30%.

Ainda muita gente claro, só que não estarão mais na tomada de decisões, com ministros nada técnicos que não entendem de educação, economia, saúde, que não entendem de nada e que preferem resolver tudo com ofensas e agressões.

E o melhor de tudo: com sua figura principal sem imunidade parlamentar após perder o cargo de presidente.

Vai demorar muito, mas seu enfraquecimento já é de se comemorar. E quando o bolsonarismo estiver morto? Aí sim será de soltar fogos.