26 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
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Racista, eu?! Quando a negação do racismo reforça o preconceito

Com a tecnologia na palma da mão, é cada vez mais fica difícil negar a prática de racismo – seja ela em palavras ou atitudes.

As situações de violações de direitos de negros e negras no Brasil e no mundo marcam séculos de existência (e persistência) e se revelam desde falas e comportamentos corriqueiros que geram sequelas psicológicas, a atitudes de extrema violência física que levam à morte (e que geralmente são negados como prática de racismo). Reflexos de quase 400 anos de escravidão e maus tratos, seguidos de mais outros séculos de uma preconcebida (e persistente) ideia de supremacia de raça, sustentada na falta de políticas públicas e oportunidades para a inserção social da população negra que saiu das senzalas, a partir da abolição da escravidão, em 1988, e se viu nas ruas (da amargura), sem teto, sem estudo, sem emprego, sem renda, sem nada.

Essa situação relegou, ao longo do tempo, mulheres e homens pretos e pardos às condições de subemprego, submoradia, subserviência e subjugo, por muitos séculos, ainda, ao domínio dos ricos e poderosos – até hoje, majoritariamente brancos.

As políticas sociais e de afirmação do povo negro avançaram, mas ainda não foram capazes de zerar o enorme abismo social que se revela nos números da atualidade. Dados do IBGE (2018) mostram que a desigualdade ainda é imensa em vários aspectos sociais: A população negra é extremamente minoritária em taxas de emprego, cargos gerenciais no mercado de trabalho, em representação política, nos indicadores de educação. E extremamente majoritária nos indicadores de extrema pobreza e de vítimas da violência, retratada principalmente nos números de homicídios.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais / Reprodução do site OAB-SP

Reflexos de uma cultura racista que ainda permeia a contamina nossa estrutura social e que reafirma as desigualdades por cor ou raça, marginalizando a população negra em relação aos benefícios do desenvolvimento e gerando violência – física e psicológica –  por todos os lados, em todo o mundo, inclusive por agentes do próprio Estado, o que deixa claro que o racismo é algo estrutural.

E nos tempos atuais, em que a tecnologia na palma da mão permite o registro e a denúncia imediata dessas situações, ao alcance de qualquer pessoa, elas têm se tornado cada vez mais evidentes e mais alarmantes. E cada vez mais fica difícil negar a prática de racismo – seja ela em atitudes ou palavras. Ainda bem, porque a negativa disfarça, esconde e reforça o preconceito.

E por que estamos falando sobre isso hoje? Porque todos os dias, independente da simbologia da data, é preciso colocar o assunto em pauta. Por isso a live desta quarta-feira (23), do blog Por Elas, abre espaço para uma discussão franca sobre o racismo que habita em nós.

A convidada é a jornalista Valdice Gomes, ativista do movimento negro, coordenadora da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira), integrante do grupo Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APN) e do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô,  integrante da Rede de Mulheres Negras de Alagoas e articuladora do Comitê Alagoano em Defesa de Cotas e Ações Afirmativas na Lei Aldir Blanc para a cultura afrodescendente.

O bate papo vai ser conduzido pela jornalista Graça Carvalho, das 20 às 21 horas. Para participar, é só acessar o nosso perfil no Instagram – @eassimnet – às 20 horas.

 

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