20 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Reforma tributária aumenta impostos de profissionais liberais e produtores rurais

Entidades pretendem lutar contra a alíquota proposta pelo governo

Profissionais liberais marcados para pagar mais impostos com a reforma tributária

A nova etapa da reforma tributária em estudo pelo governo vai modificar o modelo de tributação de profissionais liberais que prestam serviços por meio de empresas e conseguem receber remunerações em forma de lucro livre do pagamento de impostos.

Escritórios de advocacia, contabilidade, assessoria econômica, de comunicação e produtores rurais, que hoje pagam alíquota de 3,65% de PIS/Cofins e passarão a pagar 12% pela proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A proposta não foi bem recebida pelos segmentos atingidos. Entidades como a Ordem dos Advogados, conselhos de contabilidade e outros  estão se mobilizando contra a proposta de criação da nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e, principalmente, contra a volta da tributação sobre lucros e dividendos (pagamentos que os acionistas recebem pelo lucro gerado).

O modelo atual levou à famosa “pejotização”: trabalhadores mais qualificados deixam de ser contratados como pessoa física por uma empresa e passam a prestar serviço como pessoa jurídica. O PJ, pessoa jurídica, paga cerca de um terço, ou até menos, de tributos em comparação a um empregado registrado, mesmo exercendo tarefas idênticas. Para o consultor Thales Nogueira, o fenômeno da “pejotização” contribui para aumentar a desigualdade de renda no Brasil nos últimos anos ao tributar menos quem ganha mais.

De acordo com os dados mais recentes do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), o porcentual médio de renda isenta dos profissionais liberais chega a 76% entre os advogados, 75% entre economistas, 71,6% entre agentes e representantes comerciais, e 68,6% entre produtores rurais.