26 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Policia

Sargento da PM era segurança de braço financeiro do PCC

Em operação da PF, treze foram presos e R$ 730 milhões em contas bancárias foram bloqueados

O sargento da Polícia Militar Farani Salvador Freitas Rocha Júnior, 36, investigado pela morte de Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, um dos grandes narcotraficantes do Primeiro Comando da Capital, era o segurança do maior braço financeiro do PCC, desarticulado esta semana durante a Operação Rei do Crime, da Polícia Federal.

Cabelo Duro foi morto a tiros em 23 de fevereiro de 2018 no Tatuapé, zona leste da Capital, uma semana após assassinar Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, dois homens da alta cúpula do PCC. O duplo homicídio aconteceu na aldeia indígena de Aquiráz, região metropolitana de Fortaleza, no Ceará.

Os indícios da ligação do sargento com o PCC aumentaram na última quinta-feira (30/9), quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Rei do Crime e desarticulou o principal braço financeiro da organização criminosa, responsável pela lavagem de dinheiro do grupo. Treze pessoas acabaram presas e foram bloqueados R$ 730 milhões em contas bancárias.

Um dos 13 acusados pela PF com prisão preventiva decretada é Leandro de Souza Afonso, dono de postos de combustíveis. Farani trabalhou para ele por três anos, até ser preso pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) sob a acusação de ter mandado matar o cabo Wanderley Oliveira de Almeida Júnior, 38, em Itaquera, zona leste, em fevereiro deste ano.

O cabo tinha em mãos um dossiê contra o sargento e iria denunciar Farani aos seus superiores por envolvimento com traficantes de drogas do PCC na região de Cangaíba, zona leste. Por isso acabou morto a tiros.

Farani foi preso em 1º de junho. Nove dias depois, em depoimento prestado no Presídio Militar Romão Gomes ao delegado Vagner da Cunha Alves, do DHPP, sobre a morte de Wanderley, o sargento disse que fazia bico para Leandro em um posto de gasolina da rede MegaMais e recebia R$ 7 mil por mês. Afirmou que usava o Toyota Hilux do patrão.

Não é periferia

O delegado que investiga o caso disse que está ocorrendo uma espécie de “Lava Jato do PCC” e comparou a facção a uma multinacional com esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro. Segundo ele, o padrão de vida de seus líderes são comparáveis aos envolvidos nos esquemas de corrupção da Petrobras.

“Um empresário que começou a enriquecer com o dinheiro do trafico de drogas e que anda em um carro de R$ 500 mil vive na periferia? Não, ele vive na elite. Vamos combater o PCC atacando a elite”. Elvis Secco, delegado coordenador geral de repressão às drogas, armas e facções criminosas da Polícia Federal (PF), sobre o PCC.

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