20 de abril de 2021Informação, independência e credibilidade
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Se 2020 foi um ano ruim para a economia, o que esperar para 2021?

Uma análise do economista Cícero Péricles mostra um cenário de dificuldades com o impacto do fim das medidas emergenciais, já a partir de janeiro

O ano de 2020 foi um ano ruim, com sérios problemas à economia alagoana e do resto do país. Isolamento social, portas fechadas, trabalhadores e consumidores em casa, a maioria sem poder exercer suas atividades por causa da pandemia do coronavírus. E para 2021 as perspectivas não são nada promissoras. Por quê? Neste ano que está terminando, ainda que a muito custo, um conjunto de medidas adotadas, como auxílio emergencial e o programa de manutenção do emprego asseguraram renda e a manutenção de milhares de postos de trabalho, reduzindo o impacto nas baixas taxas de desemprego e na economia.

Para o ano que vem, no entanto, não há, ainda, qualquer definição quanto à reedição dessas medidas, que contemplaram também linhas de crédito facilitado às empresas, concessões e socorro financeiro aos estados e municípios para enfrentar a calamidade gerada pela pandemia, e cujos prazos findam daqui a pouco, junto com o exercício de 2020, gerando um forte impacto, sobretudo nos estados de economia limitada, como Alagoas.

Em artigo recente publicado no portal da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o economista e professor Cícero Péricles, analisa “Os impactos da pandemia na economia alagoana no ano 2020”, e lança um olhar nas perspectivas para o próximo ano. Na sua avaliação, a partir de janeiro, caso esses mecanismos não sejam renovados ou substituídos por medidas compensatórias, teremos, provavelmente, uma conjuntura mais desfavorável, quando a economia estadual poderá conhecer uma taxa negativa mais alta que a prevista para este ano.

O primeiro impacto do final dessas medidas, segundo ele, será sentido no consumo, quando forem cortados 2/3 do montante de 1,2 milhão de alagoanos que recebem o auxílio emergencial (AE), com rendas atuais de R$ 300 e R$ 600,00. Restarão apenas os 415 mil inscritos no programa Bolsa Família, cujos benefícios têm valor médio de R$186.

De forma gradativa, esse impacto já vem sendo sentido. Ele observa que, nos meses de abril a agosto, os recursos transferidos mensalmente representavam R$ 780 milhões, somando, no total dos cinco meses, R$ 3,7 bilhões. A partir de setembro até dezembro foram reduzidos a menos da metade – para R$320 milhões mensais, somando R$ 1,3 bilhão nos quatro meses. Em janeiro, serão pagos apenas R$ 78 milhões aos beneficiários do Bolsa Família.

O segundo impacto será gerado pelo final do Programa de Manutenção do Emprego e Renda que, entre os meses de maio e dezembro, permitiu a assinatura de 197 mil contratos de suspensão ou redução da jornada de trabalho, em troca do benefício financeiro mensal e da garantia do emprego. Esse mecanismo foi utilizado por 15,5 mil empresas alagoanas – ressalta o economista.

E tem mais: As linhas emergenciais de crédito não terão continuidade ou sofrerão modificações, retirando parte das facilidades e vantagens oferecidas em suas operações, e esses recursos farão muita falta.

O que esperar de 2021? De acordo com o economista, os efeitos diretos da extinção desse conjunto de medidas surgirão logo no primeiro mês do ano, quando os cortes na renda social pública coincidirão com o aumento esperado do desemprego, elevando a informalidade; somam-se a isso a inflação dos alimentos, acima de 12%, pressionando a renda dos mais pobres; o congelamento dos salários do funcionalismo; a tendência de crescimento de endividamento e inadimplência, tudo isso dentro de uma perspectiva que já se faz real, de uma segunda onda de pandemia que avança em nosso estado.

Qual a saída? Uma nova agenda a ser construída no Congresso Nacional e implementada pelo Executivo federal, com base na reedição e na inovação de medidas de apoio à geração e circulação de renda e na manutenção de empregos.

Fora disso, é o caos!