3 de dezembro de 2020Informação, independência e credibilidade
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Se os números frios não tocam a gente, espero que nomes possam tocar

Na poesia de Bráulio Bessa, musicada por Chico César, a personificação das “Inumeráveis’ vítimas do Covid-19

Tentativas têm sido muitas para convencer as pessoas de que o coronavírus é real, altamente contagioso e apresenta alto índice de letalidade. Mas muita gente insiste em boicotar as recomendações básicas e fundamentais: Fique em casa; use máscara; lave sempre as mãos ou utilize álcool em gel; mantenha o distanciamento social! E o que mais incomoda é quando uma dessas pessoas que debocham da doença, fazem pouco caso do isolamento; se contamina, leva o vírus pra casa, pro condomínio, e acaba ocupando vagas nos hospital, às vezes no lugar de uma pessoa idosa que ficou resguardada em casa, mas acabou pegando o vírus.

São situações que se repetem, mas nada disso parece tocar determinadas pessoas que se julgam inatingíveis quanto à situação de calamidade relacionada ao Covid-19. Nem mesmo os números que se multiplicam a cada dia e mostram um rastro de mortes superior a 300 mil pessoas em todo o mundo, este ano, por causa da doença. 

No Brasil já foram confirmados mais de 260 mil casos de Covid-19 – sendo mais de 13 mil nas últimas 24 horas. Mais de 17.500 pessoas morreram no país nos últimos três meses – quase 700 de ontem pra hoje. Em Alagoas, mais de 4 mil casos confirmados; mais de 220 mortes. Não são meras estatísticas. São PESSOAS, que sofrem, choram, falecem e por traz delas, histórias de vida, família: pai, mãe, irmãos, filhos, amigos… que também choram a aflição de uma doença que mata.

E nada disso parece sensibilizar algumas pessoas que seguem a inconsequência de quem acha que tudo isso não passa de uma gripezinha qualquer.

Diante de tanto desatino, esses dias me deparei com mais uma tentativa de alertar sobre a importância do compromisso com a vida e do respeito às pessoas que morreram, vítimas de Covid-19, e dos seus familiares e amigos.

E veio em forma de poesia. Nos versos de Bráulio Bessa, musicados por Chico Cesar: INUMERÁVEIS. Pra mostrar que, se os números frios não tocam a gente, quem sabe, os nomes possam tocar.

A letra tá aí! É grande, como grandiosa é a poesia desses dois artistas.

Espero que incomode muita gente! Afinal, ‘não há quem goste de ser número. Gente merece existir em poesia.

 

INUMERÁVEIS

André Cavalcante era professor

amigo de todos e pai do Pedrinho

O Bruno Campelo seguiu seu caminho

Tornou-se enfermeiro por puro amor

Já Carlos Antônio, era cobrador

Estava ansioso pra se aposentar

A Diva Thereza amava tocar

Seu belo piano de forma eloquente

Se números frios não tocam a gente

Espero que nomes consigam tocar

Elaine Cristina, grande paratleta

fez três faculdades e ganhou medalhas

Felipe Pedrosa vencia as batalhas

Dirigindo Uber em busca da meta

Gastão Dias Junior, pessoa discreta

na pediatria escolheu se doar

Horácia Coutinho e seu dom de cuidar

De cada amigo e de cada parente

Se números frios não tocam a gente

Espero que nomes consigam tocar

Iramar Carneiro, herói da estrada

foi caminhoneiro, ajudou o Brasil

Joana Maria, bisavó gentil.

E Katia Cilene uma mãe dedicada

Lenita Maria, era muito animada

baiana de escola de samba a sambar

Margarida Veras amava ensinar

era professora bondosa e presente.

Se números frios não tocam a gente

Espero que nomes consigam tocar

Norberto Eugênio era jogador

piloto, artista, multifuncional

Olinda Menezes amava o natal.

Pasqual Stefano dentista, pintor

Curtia cinema, mais um sonhador

Que na pandemia parou de sonhar

A vó da Camily não vai lhe abraçar

com Quitéria Melo não foi diferente

Se números frios não tocam a gente

Espero que nomes consigam tocar

Raimundo dos Santos, um homem guerreiro

O senhor dos rios, dos peixes também

Salvador José, baiano do bem

Bebia cerveja e era roqueiro

Terezinha Maia sorria ligeiro

cuidava das plantas, cuidava do lar

Vanessa dos Santos era luz solar

mulher colorida e irreverente

Se números frios não tocam a gente

Espero que nomes consigam tocar

Wilma Bassetti vó especial

pra netos e filhos fazia banquete

Yvonne Martins fazia um sorvete

Das mangas tiradas do pé no quintal

Zulmira de Sousa, esposa leal

falava com Deus, vivia a rezar.

O X da questão talvez seja amar

por isso não seja tão indiferente

Se números frios não tocam a gente

Espero que nomes consigam tocar

 

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