24 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Sem aumento salarial auditores da Receita federal ameaçam entregar os cargos

Com reajuste só para policiais, servidores federais acusam Bolsonaro de praticar “assimetria injusta e cruel”

Bolsonaro só autorizou reajuste salarial para os militares

Logo após acordo firmado entre o relator da proposta do Orçamento 2022 na Câmara dos Deputados, Hugo Leal (PSD-RJ), e o presidente Jair Bolsonaro (PL) para a inclusão de aumento dos salários dos policiais, os auditores da Receita Federal se mobilizaram para preparar a entrega coletiva de cargos na instituição.

O processo é imediato e, de acordo com o sindicato da categoria, cerca de 200 servidores já aderiram ao movimento na tarde de ontem.

Os servidores do Banco Central (BC), representados pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), divulgaram uma cópia de manifesto no qual criticam o reajuste concedido a apenas categorias da área de segurança.
“O BC é um órgão essencial para a estabilidade econômica do país. Contudo, nos últimos anos, não houve, por parte do governo federal, o reconhecimento dessa importância na forma de melhorias remuneratórias. Os reajustes devem ser para todas as carreiras, não só para os policiais federais”, afirmou Fábio Faiad Bottini, presidente do Sinal.
O argumento é que a correção salarial limitada aos policiais cria “assimetria injusta e cruel”. O relator do Orçamento de 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), cedeu fatia do orçamento para o aumento de policiais federais no ano que vem na última versão apresentada da peça orçamentária, reservando R$ 1,7 bilhão. A intenção do governo era reservar R$ 2,86 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões serão destinados aos policiais.
O restante também contemplaria outras duas categorias, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, não quis citar quais seriam porque “senão todo mundo vai querer”. Ontem, após a revelação dos valores para os policiais, outras organizações de servidores reclamaram da falta de reconhecimento por parte do governo.
A mobilização dos auditores fiscais foi imediata. “O ato é contra novo corte orçamentário para os sistemas da Receita e contra descumprimento do acordo firmado com a categoria, que previa a regulamentação de uma lei vigente desde 2017”, informou a assessoria do Sindifisco em referência ao bônus de eficiência — um benefício que é bastante criticado entre os demais servidores do Ministério da Economia, que não têm o mesmo privilégio.
A medida provocou indignação de quem acompanha com zelo as contas públicas. “Complemento de voto do relator do orçamento traz reajuste salarial para policiais. Desculpem, mas isso é festa da cocada”, escreveu, nas redes sociais, o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto.
De acordo com o presidente do Sindifisco, Kleber Cabral, o corte de recursos na Receita, estimado em R$ 1,2 bilhão – mais de R$ 600 milhões só da parte de tecnologia da informação, será usado pra custear aumento dos policiais prometido pelo presidente Jair Bolsonaro.