26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Senado aprova Aras na PGR e governo quer o mesmo do ‘terrivelmente evangélico’ no STF

Bolsonaro já firmou pacto de almoços diários com indicado ao Supremo, assim como oração no início das sessões

Por 55 a 10, o plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 24, a recondução do procurador-geral da República, Augusto Aras, para o cargo. Ele precisava de, pelo menos, 41 votos, maioria absoluta.

Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa já havia dado sinal verde para a indicação do presidente Jair Bolsonaro. No cargo desde setembro de 2019, Aras ficará mais dois anos à frente do Ministério Público Federal (MPF).

Na sabatina na CCJ, Aras negou ter se alinhado a Bolsonaro e afirmou que tomou uma série de decisões que não foram necessariamente conforme a vontade do governo, mas de acordo com a Constituição.

STF

Agora é a vez de André Mendonça, indicado por Bolsonaro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. E a bancada do PL no Senado já declarou apoio à indicação. Uma nota assinada pelos quatro senadores do grupo foi divulgada após a aprovação do nome de Augusto Aras na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para a Procuradoria-Geral da República. O intuito é pressionar a CCJ a marcar a sabatina de Mendonça também.

Isso mostra como a base do governo deve voltar a pressionar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (DEM-AP), a pautar a sabatina de André Mendonça, ex-ministro da Justiça.

A ideia é aproveitar o clima favorável em torno de Aras para negociar a apreciação do caso de Mendonça. Aliados do Palácio do Planalto devem ter uma reunião com Alcolumbre, até amanhã, para tentar contornar o desentendimento.

Apesar disso, os governistas admitem que é improvável que a sabatina de Mendonça aconteça antes de 7 de setembro, data na qual está prevista uma série de protestos bolsonaristas pelo país.

O então adgogado-geral da União, Andre Mendonça se curva para melhor agradar seu presidente, Jair Bolsonaro

Oração e almoço semanal

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem ter firmado o compromisso de almoçar uma vez por semana com o ex-advogado-geral da União, André Luiz Mendonça, caso ele seja aprovado para ocupar a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) no lugar de Marco Aurélio Mello, que se aposentou no mês passado.

Na semana passada, Bolsonaro já havia revelado que Mendonça, se virar ministro, vai iniciar as sessões do Supremo com uma oração.

Mendonça foi indicado por Bolsonaro ao STF em 13 de julho, cinco dias antes do início do recesso parlamentar. Os trabalhos no Congresso retornaram em 3 de agosto, mas não houve andamento no processo do ex-AGU nas semanas seguintes.