28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Sobe para mais de 100 os mortos na Tragédia de Petrópolis no Rio

Um dia antes do temporal cientista do Instituto de Física da USP alertou o governo para evacuar as pessoas das áreas de risco, mas foi ignorado

Petrópolis: uma tragédia anunciada e repetida

Subiu para 104 pessoas, incluindo duas crianças, o número de mortos na tragédia de Petrópolis, no  Rio de Janeiro,devido ao forte temporal que atingiu a cidade na tarde desta terça, 15.

O temporal  causou inundações, enxurradas e deslizamentos. Os bombeiros ainda procuram pessoas desaparecidas em meio aos escombros de casas destruídas e a lama.

Até a tarde desta quarta (16), a Defesa Civil Municipal contabilizou 325 ocorrências: 269 deslizamentos de terra e 56 desabamentos e quedas de muro e árvores. As equipes ainda trabalham nos resgates, pois há grande dificuldade de acesso em alguns locais.

No total, 439 pessoas estão sendo acolhidas em 33 escolas públicas do município. O governo do estado também informou que 24 pessoas foram salvas com vida e que um hospital de campanha com dez leitos foi montado para oferecer os primeiros atendimentos.

A tragédia acontece na mesma região onde, 11 anos atrás, ao menos 918 pessoas morreram em outra tempestade de verão, numa das maiores catástrofes do país. Até hoje há divergências no número de desaparecidos, e casas interditadas voltaram a ser ocupadas.

De acordo com as autoridades, choveu nesta terça em apenas seis horas (260 mm) o equivalente aos últimos 30 dias (272 mm), e ainda deve chover mais. A previsão para a cidade é de pancadas moderadas isoladas durante a tarde e a noite, e de chuva forte na quinta (17) e na sexta (18).

No dia anterior ao temporal, a Defesa Civil do Rio de Janeiro recebeu um alerta da possibilidade de deslizamentos pontuais na região. Segundo Paulo Artaxo, professor titular do Instituto de Física da USP, o governo estadual deveria ter evacuado as áreas de risco da cidade.