23 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
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Live de hoje: Os Jornalistas entre a pandemia e a intolerância no Brasil polarizado

Segunda-feira – 1º de junho – foi Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. Mas, comemorar o que? Na verdade, em tempos sombrios como os que temos vivido, os verbos mais adequados são resistir, lutar… e refletir sobre os desafios de ser jornalista, num país polarizado como o Brasil.

Princípio fundamental do direito à informação, a liberdade de imprensa tem sido atacada de várias maneiras, todos os dias. Seja em atitudes de intolerância com a clara intenção de atrapalhar o trabalho jornalístico, seja em atos virulentos que têm multiplicado a violência contra jornalistas, em todas as partes do país.

Desde a redemocratização do país – após o período de ditadura que se instalou com o golpe militar de 1964 – nunca a imprensa tinha sofrido tantas agressões – seja por violência física ou verbal; vinda por via direta, no exercício de atividades jornalísticas, ou por meios virtuais; seja por meio de ações institucionalizadas de cerceamento à liberdade de imprensa ou por atitudes de autoridades púbicas e manifestações populares na tentativa de causar obstrução ao trabalho jornalístico. E o que mais preocupa: esses ataques têm se avolumado.

Fonte: Relatório Fenaj – 2020

Se o ano de 2019 já tinha sido alarmante, o ano de 2020 registrou uma explosão nos ataques aos profissionais e à liberdade de imprensa. Foram 428 casos de violência em diferentes formas, incluindo dois assassinatos; um aumento de 105,77% em relação ao ano anterior. De acordo com o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e lançado em janeiro último, 2020 foi o mais ano violento nesse item, desde o começo da década de 1990, quando a entidade sindical iniciou a série histórica de registros de ataques à liberdade de imprensa.

E esse não é o único desafio enfrentado pelos profissionais de imprensa nos dias atuais. Em meio à pandemia que tem deixado um rastro de morte inigualável na história do país, os jornalistas não pararam um só instante de exercer a atividade essencial de informar a população. Essencial, sim, porque informação salva vidas, na mesma medida que a desinformação pode matar. E para bem informar, é preciso ir em busca da notícia, apurar, entrevistar pessoas – muitas até que negam a necessidade de usar um equipamento mínimo de proteção – uma máscara.

Mas os profissionais de imprensa ficaram fora de todos os grupos prioritários de vacinação estabelecidos até agora no Plano Nacional de Imunização e continuam na linha de alto risco. O Brasil é o país que registrou o maior número de jornalistas mortos em decorrência da Covid-19. Dossiê produzido pela FENAJ traz registro de 169 profissionais mortos pela doença, até março de 2021. De lá para cá esses números aumentaram bastante, assim como aumentaram os números gerais da Covid – que caminham velozmente para a marca das 500 mil vidas perdidas no país.

Maria José Braga – Divulgação

Toda essa discussão merece ser aprofundada e esse é o tema da live desta quinta-feira (3), do Blog Por Elas. A partir das 20h, no instagram @eassimnotícias, vamos entrevistar a jornalista Maria José Braga, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, membro do Comitê Executivo da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e representante da categoria dos jornalistas no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

Vamos falar de liberdade de imprensa, democracia, violência contra os jornalistas e os efeitos da pandemia. Eu, ela e vocês!

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