26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Tios do Zap não comparecem em peso, mas Bolsonaro precisa ser punido antes que números cresçam

Apoiadores fanáticos marcaram presença no 7 de Setembro, mas sem a força que o presidente queria e reforça fraqueza que abre brecha para Impeachment

O presidente Jair Bolsonaro apelou para o tudo ou nada. Rodeado por acusações em seu governo, núcleo familiar e, claro, contra ele mesmo, Jair usou o 7 de Setembro para usar seus seguidores fanáticos, a massa de manobra Bolsonarista, para que ele pudesse mostrar ao mundo o número de brasileiros que o apoia.

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Mas se a proposta era colocar milhões de brasileiros “patriotas”, “pais de família” e conservadores com ódio virulento contra o STF e Congresso, Bolsonaro falhou.

O ato a favor ao presidente que desafiou explicitamente o STF reuniu 125 mil pessoas na avenida Paulista, segundo cálculo da Secretaria da Segurança de São Paulo. Bem abaixo do estimado pelos próprios organizadores da manifestação que, em reunião com a Polícia Militar de São Paulo no último dia 31 de agosto, afirmaram esperar entre 2 milhões e 3 milhões.

Mais uma vez. Como sempre, houve muita gritaria no Twitter e Whatsapp, mas na realidade o que tivemos foi, entre outros, um exército de tios do Zap.

Bolsonaro queria milhões, mas não conseguiu esconder frustração ao ver baixa participação

Claro: não foi pouca gente. Para um país com centenas de milhares de mortos em uma pandemia que não precisava chegar nesse ponto, inflação quase fora de controle (com alimentos e combustíveis ficando proibitivamente caros demais) e um governo mentiroso atolado em corrupção, até que foi gente demais.

Mas para impedir que este número continue crescendo, Bolsonaro precisa sair da cadeira de onde ele está. Com influência entre seus seguidores, que estão fechados com ele para o que der e vier, Bolsonaro conseguiu inserir ideias e preceitos básicos na cabeça de seu gado.

Primeiro, o negativo irremediável, como: PT ruim, ameaça comunista, ameaça chinesa, urna fraudulenta, acabou a mamata.

Depois, reforçou com o “positivo”, tal quais: Bolsonaro mito, Bolsonaro honesto, acabou porra, Deus acima de todos.

E reforçando este mantra, com retórica que não começou nas Eleições 2018, mas de muito tempo antes, desde que Trump fora eleito ou ele aparecia “mitando” no CQC da Band ou no auditório de Luciana Gimenez na RedeTV!, Bolsonaro zumbificou seu eleitorado.

Colocou um forte cabresto neles. Matou o livre arbítrio destas pessoas, que não questionam mais nada e apenas reproduzem tudo o que ouvem nas redes sociais de suas bolhas tóxicas. A ponto de levar pessoas que, até então estavam em suas casas, a confrontar a polícia militar. E ficarem confusas ao receberem agressões enquanto pediam por intervenção militar.

Se for pedir intervenção militar, esteja preparado pelas consequências

Praticamente todos lá eram adultos responsáveis por seus atos. Não é necessariamente o caso de inocentar todos estes que foram às ruas no dia 7 pedindo intervenção militar e fechamento do Supremo (na verdade, todos precisam ser identificados e responsabilizados por seus atos), mas convenhamos: nada disso teria acontecido se Bolsonaro não estivesse no comando.

Por pior que ele seja como presidente ou ser humano, por ter conseguido inserir preceitos básicos na mente de seus servidores, ele tem sob controle um exército de tios do Zap que continuarão fazendo barulho. E com eles mais empresários, celebridades e criminosos golpistas que vão seguir embarcando no discurso antidemocrático de Bolsonaro.

Se desta vez não houve confrontos ou mesmo mortes, como muito dos tios do Zap queriam, por que esperar pela próxima vez? Eles inventam de levar crianças para uma ameaça de Golpe de Estado. O que farão ou não deixarão de fazer em outra ocasião?

Não leve crianças para um ato golpista

Neste 7 de Setembro, Bolsonaro não conseguiu os números que tanto sonhava. Mas apesar de um péssimo presidente e ser humano, ainda consegue levar muita gente para suas loucuras desvairadas. E enquanto nos aproximamos de 3 anos de seu governo, cada vez mais fica claro que essa aventura já deveria ter acabado logo.

Menos notas de repúdio, mais ações contra o golpista.