22 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
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Tragédias no meio ambiente: deixar a boiada passar é a morte

As tragédias da mineração em Minas e Alagoas, mais a devastação impune da Amazônia são provas reais que o descaso com o meio ambiente mata e sepulta vidas na lama

Tragédias que matam, ficam impunes e logo são esquecidas convenientemente pela sociedade.

Governo nenhum no mundo deveria fechar os olhos à preservação do meio ambiente.

As tragédias já rotineiras da mineração em Minas Gerais e em Alagoas com o crime da Braskem são provas reais que o descaso mata e sepulta vidas na lama, para a tristeza infinita de milhares de famílias.

Lamentavelmente, em nome dos investidores do mercado que lucram bilhões de dólares com o sofrimento alheio, a cultura de tocar a boiada em frente é uma praxe antiga no Brasil.

Toca a boiada, desmata-se a Amazônia para o agronegócio, para o garimpo ilegal em terras indígenas, para o contrabando de madeiras, com envolvimento direto até de ministro de Estado.

Eles ganham; quem pode menos, morre. É a regra estabelecida.

Toca-se a boiada para a mineração e vem o rompimento da barragem da Samarco (2015), em Mariana, Minas Gerais, deixando o desastre e as mortes impunes até agora.

Toca-se a boiada e Minas tem a repetição do monstruoso crime da Vale do Rio Doce, em Brumadinho (MG). Lá a barragem rompeu e tudo foi pior: Centenas de pessoas foram mortas soterradas na lama, em 2019.

Esses casos têm algo em comum no cotidiano: o rápido esquecimento da sociedade.

Em todos os episódios os investidores, senhores do mercado, negaram responsabilidades e, quando instados, timidamente pela justiça, buscam fazer acordos, mas ainda assim protelam  o cumprimento em outras instâncias judiciais.

Eles podem. Têm o capital e pessoas certas para isso.

Eles sabem estimular governantes e afins a deixarem “a boiada passar”.

A boiada segue e um grande bloco de pedras desaba na água do Lago de Furnas, em Capitólio (MG) matando 9 pessoas que passeavam com suas lanchas, inadvertidamente, no lago.

As fissuras na rocha já haviam sido denunciadas por ambientalistas em 2012. Nenhuma providência foi tomada por autoridades.

Providência para quê? É preciso manter a economia, o turismo, “o livre arbítrio”. Ilustração para fazer jus ao discurso capitalista da moda atual.

E cá pra nós? A mineração da Braskem…

A boiada aqui foi tão grande que Maceió perdeu 5 bairros, 60 mil famílias foram expulsas dos lares que construíram, empresários desestruturaram seus negócios, a doença se espalhou.

A tragédia é o maior crime ambiental do mundo e ninguém está nem aí. O capital pode e faz, para o desespero dos que adoecem e morrem

O que importa é o deleite de quem os protege por umas e outras razões.

A sociedade não percebeu – ou não quer perceber – que a destruição do meio ambiente secou os rios e riachos nas cidades, provocou inundações como as vistas recentemente em Minas Gerais e na Bahia.

Inundações que também já foram vistas tragicamente em outras décadas em Alagoas nos vales do Paraíba e do Mundaú, com  cidades inteiras destruídas e centenas de mortos nas enchentes.

A população, em grande parte,  por ignorância, e as autoridades, na maioria das vezes, por conivência, se omitem na defesa do meio ambiente e a natureza grita feroz.

Enfim, queiram ou não perceber, mas a “deixar a boiada passar” é a morte!

Essa, então, é uma associação plenamente criminosa, sim.