23 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
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Trinta anos depois, bebê do Nirvana volta a nadar atrás do dólar

Spencer Elden, em 2016, segura uma cópia do álbum Nevermind | Reprodução

O bebê da capa do icônico álbum Nevermind, do Nirvana, cresceu. A parte do corpo dele que mais aumentou, proporcionalmente, foi o olho. Tanto que ele o pôs numa grana preta caso vença o processo que move contra a banda e as gravadoras, por exploração sexual infantil.

Aos quatro meses de idade, ele aparece nu, debaixo d’água, sendo “fisgado” por um anzol onde a isca é uma nota de um dólar. Parece que trinta anos depois – o álbum foi lançado em 1991 – Spencer Elden continua nadando atrás da grana.

Ele quer US$ 150 mil (cerca de R$ 787 mil) de cada uma das partes acusadas no processo e que seu caso seja analisado por um júri. No total, são 15 réus, como os membros da banda e a viúva de Kurt Cobain, Courtney Love, além da gravadora que lançou e distribuiu o disco.

As alegações dos advogados de Elden são de que houve “exploração sexual infantil comercial, desde quando Elden era menor de idade até os dias atuais”. Eles ainda afirmam que a imagem faz com que Elden se assemelhasse a “um trabalhador do sexo – agarrando-se por uma nota de um dólar”.

O que penso? Que ele e os advogados oportunistas estão pagando de doidos. Tentando erotizar a imagem de um bebê e deturpando a crítica ao sistema contida na capa do excelente álbum, para tentar tirar alguma vantagem financeira.

Dia desses, li uma reportagem na qual Spencer Elden reclamava que não tinha ganhado rios de dinheiro com a foto da capa do disco em que aparece dentro de uma piscina.

Fiquei chocado com uma frase dele: “Todos os envolvidos no álbum têm toneladas e toneladas de dinheiro. Sinto que sou o último pedaço do Grunge. Estou morando na casa da minha mãe e dirigindo um Honda Civic”.

O que me chocou na declaração? Que Honda Civic é carro de pobre na terra dele.

Na mesma entrevista, ele cravou:

“É difícil não ficar chateado quando você ouve quanto dinheiro estava envolvido. Eu vou a um jogo de beisebol e penso sobre isso: ‘Cara, todo mundo neste jogo de beisebol provavelmente viu meu pênis de quando eu era bebê’, eu sinto como se eu tivesse parte dos meus direitos humanos revogados”.

O homem, ainda bebê, tornou-se símbolo para gerações. A reclamação dele, de que está liso, andando de Honda Civic, é uma crítica, justamente, a este sistema que Spencer Elden agora faz parte.

A acusação de pornografia infantil – para mim, descabida, acho que ele perde o processo – é uma manobra pouco habilidosa dentro desse jogo que é a vida.

Outro motivo pelo qual torço que Spencer seja mal-sucedido: milhões de pessoas que amam ouvir música boa e barulhenta, e compraram cópias deste álbum que marcou época, merecem ser presas por posse de pornografia infantil?

Menos, rapaz. Menos…