27 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Variante Delta: situação é muito grave, diz pesquisadora da Fiocruz

Essa nova cepa do vírus da Covid-19 é cinco vezes mais transmissível, segundo a pesquisadora

Variante Delta da Covid-19 se espalha em regiões do País

A variante Delta da Covid-19 que chegou ao País tem sido um fator de grande preocupação para a comunidade científica brasileira.

Com o crescimento da incidência da variante Delta em vários Estados diversas autoridades sanitárias têm feito alertas à população, para que não abandonem as normas de segurança.
Segundo a cientista Margareth Dalcomo – médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) –, “a situação é muito grave”.
A declaração foi dada durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. A médica e pesquisadora foi  enfática ao dizer que “a cepa tem todas as condições de transmissibilidade para ficar dominante no Brasil”.
“Essa cepa [de origem indiana] é de cinco a seis vezes mais transmissível. Só para se ter uma ideia, cada cem pessoas infectadas podem contaminar outras 600”, afirma a especialista, acrescentando que as máscaras do tipo PFF2 são as mais eficazes para evitar a propagação do vírus.
A pesquisadora da Fiocruz, que lidera diversos estudos sobre a COVID-19 no país, disse que já era previsto o aumento da circulação da variante Delta. “A situação é muito séria, é muito grave! Mas não é algo que nos surpreenda. A título de exemplo, com o Rio de Janeiro sendo o epicentro da transmissão comunitária, a gente já sabia que era só uma questão de tempo”.
Pessoas com duas doses estão suscetíveis à variante Delta
A médica pneumologista também afirmou que “mesmo as pessoas vacinadas com as duas doses estão suscetíveis” à variante Delta. Nesse sentido, ela destacou a importância de que todos tomem a terceira dose – que, inclusive, começará a ser aplicada em setembro, conforme anunciado pelo Governo Federal.
“Nós temos que assegurar a imunização daqueles que têm mais de 70 anos e também dos imunossuprimidos. A gente sabe que a maioria tomou a CoronaVac, um imunizante que tem menor eficácia. Por isso, não há dúvida de que o Brasil teve a atitude correta em oferecer a terceira dose, que deverá ser com a Pfizer”, disse.
“Essa variante não respeita vacinados. Então, a gente não trata mais uma pessoa só quando fazemos diagnósticos. Essas pessoas convivem com outras independentemente de estarem vacinadas”, complementou.
Sintomas da Delta e protocolos sanitários

Margareth Dalcomo ressaltou, ainda, que o quadro clínico de quem é contaminado com a variante é bem diferente. Segundo ela, os pacientes apresentam coriza e dor de garganta. “A cada tossida e a cada espirro há uma enorme carga viral”, disse.

Conforme a pesquisadora, atitudes como limpar sacola de supermercado ou a sola do sapato não interferem na propagação da variante. “Esquece isso. O problema está na transmissão respiratória. Proteja sua família e a você mesmo. O que manda é o bom senso. Se puder entrar sozinho no elevador, melhor assim. Você não sabe se alguém vai dar um espirro lá dentro”.
Crianças
Conforme a pesquisadora, é natural que, cada vez mais, as crianças comecem a adoecer, pois elas ainda não estão sendo vacinadas e, nesse sentido, acabam se transformando em “reservatórios da variante e polos de transmissão”. Logo, a recomendação para aquelas que possuem três anos ou mais é o uso máscara.
Por fim, Margareth Dalcomo destacou que a variante não é uma ameaça para a maioria delas. “Existe alguma relação de proteção que nós ainda não esclarecemos”, finalizou.