28 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Wajngarten depõe na CPI para fritar Pazuello e tentar livrar Bolsonaro

Ex-secretário de Comunicação, em entrevista à revista Veja, já criticou ex-ministro da Saúde por “incompetência” e “ineficiência”, inocentando o presidente

Atualização após 12:23

Sendo o primeiro a questionar o ex-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, na CPI da Pandemia nesta quarta (12) desviou de algumas perguntas.

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Irritado, o relator Renan Calheiros (MDB-AL), que trocou a placa com seu nome na bancada pelo número de mortos por covid-19 até agora, perdeu a paciência com o Wajngarten. Principalmente por se esquivar das declarações que o próprio ex-chefe da Secon fez à Revista Veja, no mês passado.

Questionado pelo relator Renan Calheiros sobre quem orientava os discursos e posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro, o ex-secretário Fábio Wajngarten respondeu: “pergunte a ele”.

A resposta acabou ocasionando uma leve discussão e fez o presidente da CPI, Omar Aziz, a fazer o seguinte comentário:

“Senhor Fábio [Wajngarten], o senhor só está aqui por conta da entrevista à Veja, senão a gente nem lembraria que você existia. Não subestime nossa inteligência”. Omar Aziz, presidente da CPI.

Após uma breve interrupção, Fabio Wajngarten, que está lá como testemunha e desviou de perguntas e negou conteúdo de própria entrevista na Veja, foi alertado que se não colaborar com o trabalho, poderá passar a ser considerado um investigado.

Wajngarten, que abriu sua fala se dizendo um homem religioso, e enaltecendo seu contado com o presidente Jair Bolsonaro e os pastores R.R. Soares e Silas Malafaia, disse em entrevista na revista Veja que a administração Pazuello foi incompetente e ineficiente.

Durante a paralisação, a deputada bolsonarista Carla Zambelli invadiu a comissão da CPI da Pandemia em defesa do ex-chefe da Secom.

Quando questionada se fazia parte da CPI, a deputada respondeu: “querem me expulsar”?

Postagem original

A CPI da Covid ouve nesta quarta (12), no Senado, o publicitário Fábio Wajngarten. E o ex-chefe da Secretaria de Comunicação de Jair Bolsonaro pode repetir o que já fez em entrevista na Veja, quando foi capa da revista em abril: jogar toda a culpa dos resultados negativos desta pandemia no Ministério da Saúde e no ex-comandante da pasta general Eduardo Pazuello

Wajngarten sem dúvidas será questionado sobre dizer que houve “incompetência” e “ineficiência” no processo de negociação com a farmacêutica Pfizer. Na Veja, ele isentou Bolsonaro de responsabilidades pela lentidão no processo de compra de vacinas contra a covid e atribuiu a culpa a Pazuello – que será ouvido na CPI semana que vem.

“O presidente está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas”. Fábio Wajngarten, na revista Veja.

Para o publicitário, o ministério só não efetivou a compra de imunizantes de milhões de doses da vacina da Pfizer —uma das críticas que levaram à queda de Pazuello por “incompetência e ineficiência”.

Mas ele também pretende se esquivar. Segundo Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ele dirá à CPI que insistiu para que o governo comprasse as vacinas russa (Sputnik V) e indiana (Covaxin) já no ano passado. Também deve relatar ter advogado em favor do acordo com a Pfizer, mas as conversas esbarraram na burocracia da pasta.

Cloroquina

As declarações de Wajngarten são fundamentais para o futuro da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele tinha uma relação direta e próxima do presidente da República, vivendo a rotina do Palácio do Planalto e participando de reuniões na sede do Executivo federal.

Por isso, congressistas devem questioná-lo sobre os encontros no Planalto em que foram debatidos o incentivo ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no combate ao coronavírus.

Nestas reuniões, comandadas pela Casa Civil, participavam o presidente da República e a médica e pesquisadora Nise Yamaguchi, entusiasta de medicamentos sem eficácia comprovada.

Ontem (11), o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, confirmou à CPI da Covid que, em reunião no Planalto, Nise sugeriu que Bolsonaro poderia editar um decreto na tentativa de alterar a bula da cloroquina/hidroxicloroquina.

Wajngarten será questionado ainda sobre o motivo pelo qual ele teria se dedicado a participar de articulações relacionadas à aquisição de vacinas — atividade fora da sua área de atuação no governo.

Já em sua Secretaria de Comunicação, Wajngarten, preferia enaltecer o número de Brasileiros “salvos” e “em recuperação”. O chamado ‘Placar da Vida’ não contava o número de mortos na pandemia. Algo como noticiar apenas o gol de Oscar no 7×1 contra a Alemanha na Copa de 2014. Ou apenas os sobreviventes em acidentes de trânsito.

Um outro ponto que deve ser abordado é a veiculação de campanhas publicitárias do Palácio do Planalto no que diz respeito à imunização no país.

A oposição acredita que o governo federal falhou em não promover campanhas mais assertivas a favor da vacinação, do distanciamento social e do uso de máscaras.